- Lucílio Manjate, professor de Literatura Portuguesa na UEM, recentemente doutorado com 20 valores na Universidade
Pedagógica (UP), diz ao domingo que a CPLP é um campo vasto e a cooperação não pode ser apenas cultural
“Estudo das representações discursivas das narrativas sobre Magaiza: um contributo para a didáctica da língua portuguesa” é a tese de doutoramento classificada em vinte valores pela Universidade Pedagógica, em Maputo, pretexto para uma conversa descontraída com Lucílio Manjate, o doutorado. Diz, em conversa com o domingo, que o ensino da língua portuguesa deve optar por outros padrões de aprendizagem, sobretudo com foco no aluno, o que requer um professor adequado e uma escola adequada.
Falando sobre a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), que na quinta-feira celebrou o seu dia, refere que chegou o momento de ser uma organização mais coesa e inserida na cooperação económica e não apenas cultural.
Como caracteriza esta comunidade no contexto cultural?
Julgo que a cultura não sobrevive sem os outros pilares que nortearam a criação da CPLP há30 anos. A cultura precisa da cooperação económica e da vontade política. Aliás, tudo isso cabe na designação genérica de cultura, mas entendo que queira restringir o sentido de cultura, por exemplo, às manifestações artísticas dos nossos países. Elas precisam da diplomacia e da economia.
As nossas indústrias culturais e criativas precisam que essa articulação seja mais efectiva. Criar ou consolidar esse sentimento de pertença à CPLP passa por investir em iniciativas que levem a cultura às pessoas e em programas de educação partilhados entre os nossos países, onde a História e a Literatura que nos unem através da língua sejam difundidos de forma mais ampla…
A união na CPLP assenta sobretudo na língua. Como avalia a vitalidade desta num ambiente em que nem todos os países assumiram o acordo ortográfico?
A língua é veículo de cultura, de saberes. Representa a alma de um povo. Neste sentido, a língua é poder.
O acordo ortográfico é um belo desafio, gosto dos desacordos que gera, porque testa se estamos, de facto, em comunidade, se somos capazes de caminhar juntos. Caminhamos em alguns domínios, é verdade, mas quando vem à tona a questão da língua, ninguém quer perder o seu território. Mas penso que com ou sem acordo ortográfico as nossas variedades linguísticas vão sobreviver, porque falamos e nos entendemos… Leia mais…



