Bula-Bula não tem nada contra a arte abstracta. Antes pelo contrário, aprecia o movimento das vanguardas europeias que rompeu com a representação do concreto, do real no pincel, e trouxe para as telas novas linhas, novas texturas e até novas formas geométricas para transmitir emoções e ideias. Enfim, outra essência na composição visual, nos movimentos, tal como nas obras do imortal Malangatana Valente Nguenya, ao qual Bula-Bula presta culto e adoração.
Mas o que aconteceu no Chimoio não tem nada a ver com arte abstracta, de descaracterizar a realidade, de a perverter, de a subverter, tal é o papel do artista e do artesão. Tem a ver, isso sim e com quase toda a certeza, com inépcia, com inabilidade e falta de alçada técnica para conceber uma estátua, uma escultura para glorificar um feito, eternizar uma figura que nos é muito querida, estimada, notavelmente consagrada na História de Moçambique!
As boas intenções, e o Mundo está cheia delas, muitas vezes nos traem, e Bula-Bula tem a impressão que, neste caso da estátua erguida em memória de Josina Machel, a heroína das nossas infâncias revolucionárias, das nossas adolescências e puberdades ideológicas, esbarraram na falta de perícia, conhecimento e maestria do mestre das não-estátuas, do candidato a artesão que deixou, numa praça do Chimoio, em público, o seu devaneio artístico.
Mas Bula-Bula já estranhou outras estátuas, como aquela de Eduardo Mondlane, o arquitecto de todos nós, de Moçambique e dos moçambicanos, plantada no preâmbulo da Avenida com o mesmo nome, no Alto Maé, distorcida que baste, martelada e retesada das mãos aos pés, de tal sorte que um mutirão de bom senso, de bom gosto, logo se transformou em horda protestante, até aqui sem resposta, e já aparecendo outra deformação, outra má-formação artística! Leia mais…



