UM festival teatral bem organizado vale por muito mais do que a sucessão de espectáculos apresentados ao público. Quando consegue juntar qualidade artística, reflexão e memória, transforma-se num verdadeiro espaço de encontro e afirmação cultural. É precisamente esse mérito que se pode reconhecer a este festival – “MAPUTO EM CENA” – que apresentou, durante uma semana, propostas teatrais diversificadas, promoveu fóruns de discussão sobre os desafios e as possibilidades do teatro.
A iniciativa ganha ainda maior significado por decorrer sob o signo da homenagem a um actor e encenador cuja trajectória deixou marcas importantes na construção do teatro nacional: EVARISTO ABREU, cuja produção artística não se limitou à apresentação de espectáculos: contribuiu para a criação de bases de uma dramaturgia enraizada na realidade cultural das nossas comunidades, recorrendo à linguagem da dança tradicional como instrumento de expressão, narrativa e valorização da identidade.
É aqui que o festival ultrapassa a dimensão de simples programação cultural. Ao recuperar a obra de quem abriu caminhos, coloca uma questão essencial: que teatro estamos a construir hoje e que referências estamos a deixar para as gerações futuras? Homenagear um criador não deve significar apenas recordar o seu nome, mas compreender a sua contribui hoje e que referências estamos a deixar para as gerações futuras? Homenagear um criador não deve significar apenas recordar o seu nome, mas compreender a sua contribuição e interrogá-la à luz dos desafios actuais. Leia mais…



