Texto de Carlos Uqueio
Há um fenómeno a ganhar espaço silenciosamente em alguns bairros da cidade e província de Maputo. Não se trata de um medo abstracto, mas de uma realidade que começa a preocupar comunidades inteiras. Tem rosto jovem, manifesta-se muitas vezes em grupos e ocupa espaços onde antes predominavam encontros entre vizinhos, brincadeiras de crianças e uma convivência comunitária mais tranquila.
Nos últimos meses, tenho acompanhado relatos de assaltos, agressões, perseguições e outros episódios de violência associados a grupos de jovens identificados popularmente como “Danko”.
A expressão, inspirada numa cultura urbana com raízes na África do Sul, tem sido apropriada por alguns sectores juvenis como símbolo de identidade, estilo e afirmação social. Contudo, em determinados contextos, esta associação tem vindo a ser ligada a comportamentos violentos, exibição de poder e práticas criminosas.
O desafio que se coloca é que já não estamos apenas perante uma manifestação cultural ou estética. Em alguns bairros observa- -se o crescimento de um ambiente marcado pela intimidação, banalização da violência e enfraquecimento de referências sociais capazes de orientar muitos jovens. Um dos aspectos mais preocupantes é a idade de alguns envolvidos.
Há adolescentes, jovens e adultos expostos a contextos de abandono escolar, desemprego, ausência de perspectivas claras para o futuro. Para alguns, a integração em grupos com comportamentos desviantes acaba por representar uma procura de pertença, reconhecimento ou sobrevivência. Leia mais…



