Reitores, professores, investigadores, estudantes, gestores públicos e privados e parceiros de cooperação reuniram-se, na semana finda, na mesma sala e durante dois dias, por ocasião da Conferência Nacional do Ensino Superior, sob o lema “Construindo um Plano Estratégico Inclusivo, Transformador e Relevante para o Desenvolvimento Sustentável de Moçambique”, uma plataforma conjunta para discutir o que a actualidade e os desafios das universidades moçambicanas.
Mais do que debater sobre o presente e o futuro do Ensino Superior, os participantes colocaram o dedo na ferida e abordaram o que não está bem ou devia estar melhor nas nossas universidades, comprometendo a qualidade do resultado final, ou seja, do capital humano formado. Tal como foi sublinhado no evento, entre os desafios por superar, pontificam:
• O desalinhamento entre formação e mercado;
• A fraca ligação entre universidades e sector produtivo;
• A insuficiente investigação aplicada;
• As desigualdades territoriais;
• A pressão sobre a qualidade; e
• A baixa empregabilidade em algumas áreas de formação, incluindo o financiamento ao Ensino Superior. Estes desafios não são totalmente novos e têm sido colocados ao longo do tempo, sem, contudo, se implementarem acções estratégicas para a mudança do paradigma.
O desalinhamento entre a formação e o mercado e a fraca ligação entre universidades e sector produtivo geram situações sociais mais complexas de responder, como é o caso da elevada taxa de desemprego de jovens com formação superior no país.
Em parte, este problema também resultou da corrida à expansão do Ensino Superior por todo o país, sem se observar a necessidade e pertinência de determinados cursos em algumas cidades, vilas ou distritos. Entendemos que chegamos a um estágio que legitima uma monitoria corajosa visando avaliar a relevância da continuidade de alguns cursos ministrados nas nossas universidades, sob o risco de continuarmos a formar doutores sem utilidade no contexto moçambicano.
O paradoxo desta situação é que o país continua a exportar divisas para pagar formação de seus filhos no estrangeiro, onde frequentam cursos que o mercado moçambicano já está a exigir e que as universidades moçambicanas, apesar de serem centros de conhecimento, não conseguiram se antecipar para esta realidade cada vez mais digital e tecnológica.
Somos por um Ensino Superior inovador, tecnológico, actual e oportuno no sentido de responder aos desafios dos moçambicanos, como é o caso da almejada independência económica evocada pelo Presidente Daniel Chapo, o que pressupõe a transformação estrutural da economia.
Por isso, encorajamos a iniciativa em curso da elaboração do Plano Estratégico do Ensino Superior, o qual vai agregar as diferentes visões e conhecimentos e orientar este subsistema educacional, visando resolver problemas concretos da vida das populações, tais como a melhoria da produção agrícola e dos serviços públicos, o crescimento das pequenas e médias empresas, o combate às mudanças climáticas e a criação de oportunidades para a juventude.Leia mais…


