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Arrancadas da infância e tornadas chefes de família

Por Abibo Selemane
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Milhares de crianças interrompem a infância e os seus sonhos para exercerem o papel de chefes de família. São crianças que, por imperativos da vida, deixaram de desfrutar dos direitos que as assistem como menores.

Não frequentam uma escola; não têm tempo nem oportunidade para se socializar com outras crianças. Suas restrições não param por aqui. Por não terem um adulto por perto que cuidasse delas, muito cedo viram-se obrigadas a aprender a cuidar delas próprias.

Os motivos que as levaram a chefiar as famílias são vários. Entretanto, existem neles um denominador comum: a ausência de cuidados de um adulto, por razões diversas, dentre elas, a morte, o abandono e o conflito com a lei.

Dos parentes existentes, ninguém quer assumir a responsabilidade de cuida-las. E como forma de se manterem vivas na sociedade, algumas abandonaram a escola para sustentar os irmãos. Outras ainda vivem o desafio de conciliar os estudos com a procura do sustento. Esta realidade preocupa tanto a sociedade como o Governo.

O número de casos oficiais é elevado. Dados do Ministério de Trabalho, Género e Acção Social de 2022 apontam que 115.483 agregados familiares, no país, são chefiados por menores de 20 anos. Deste número, 43.217 por raparigas e 72.266 por rapazes.

QUOTIDIANO DE UM MENOR CHEFE DE FAMÍLIA

Há quem pense que cenários assim acontecem somente nas zonas rurais, mas não. Cerca de dois por cento dos agregados da zona rural são chefiados por menores e um por cento encontram-se na área urbana.

A título de exemplo, a família chefiada por A.Fernando, de 16 anos, encontra-se na periferia do município da Matola. O menino tornou-se chefe nos finais do ano passado. Cuida de dois irmãos.

O mais velho, de 18 anos, com necessidades especiais, e o mais novo, de 10. Vive com os irmãos no bairro de Muhalaze, província de Maputo, numa casa do tipo II construída pelos pais, cujas obras estão ainda por se concluir. No presente ano frequenta a 8.ª classe na Escola Básica Trindade. Leia mais…

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