Aimprensa internacional noticiou, recentemente, que o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed Bin Salman (MBS), contactou duas vezes, no passado dia 11 de Setembro, o Presidente dos EUA, Donald Trump, para que este ordenasse ataques aéreos contra posições dos Houthis no Iémen. No entanto, Trump recusou o envolvimento militar directo dos EUA, embora tenha oferecido apoio em matéria de inteligência e identificação de alvos. O pedido de MBS surge num momento sensível para Riade. A ofensiva dos Houthis aproximou-se de zonas estratégicas da costa do Mar Vermelho e ameaça o estreito de Bab el- -Mandeb, uma das principais passagens marítimas entre o Oceano Índico, Mar Vermelho e o Mediterrâneo. Ao mesmo tempo, a guerra dos EUA e Israel contra o Irão colocou o estreito de Ormuz sob enorme pressão, comprometendo uma das principais vias utilizadas pelas exportações energéticas do Golfo. A eventual paralisação simultânea destas duas rotas coloca a Arábia Saudita em “maus lençois”. Os “nãos” de Trump levantam a seguinte questão: até que ponto os EUA estão comprometidos com a segurança ou a protecção dos interesses do reino? Isto leva a fazer uma reflexão em torno do rumo futuro da aliança estratégica entre Riade e Washington.
Por várias décadas, a relação entre Washington e Riade assentou numa espécie de entendimento estratégico: a Arábia Saudita garantia estabilidade e cooperação energética e regional, enquanto os EUA forneciam protecção militar, armamento, tecnologia e apoio político. Em Novembro de 2025, os dois países assinaram um “Strategic Defense Agreement” destinado a reforçar a cooperação militar e a dissuasão regional. Os EUA elevaram formalmente a relação com Riade em Janeiro de 2026, quando Trump designou a Arábia Saudita como “Major Non-NATO Ally”, reforçando a cooperação de defesa. A pergunta que se coloca é: porquê dizer não precisamente quando um parceiro estratégico pede ajuda?
Uma primeira explicação é a concentração das prioridades militares americanas. Washington está já envolvido num confronto muito mais amplo com o Irão. Abrir uma nova campanha militar contra os Houthis significaria acrescentar uma segunda frente num teatro em que os interesses americanos aparentam ser menos directos. A lógica de Trump parece ser a de concentrar recursos militares naquilo que considera serem os objectivos prioritários dos EUA, evitando transformar Washington no principal combatente de uma guerra saudita no Iémen. Relatos recentes indicam precisamente que a administração pretende evitar uma intervenção directa contra os Houthis enquanto permanece envolvida no conflito com o Irão. Leia mais…


