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“Maior acordo de petróleo da história” – o cúmulo da diplomacia de bullying

Por Edson Muirazeque
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O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou, na semana passada, a assinatura do “maior acordo de petróleo da história mundial” entre o seu país e a Venezuela. Segundo o inquilino da Casa Branca, o acordo prevê a participação e controlo maioritário de interesses norte-americanos no desenvolvimento de mais de 65 mil milhões de barris de reservas provadas da Venezuela, envolvendo 17 campos petrolíferos e cerca de 100 mil milhões de dólares em investimento privado. Pelo que foi noticiado, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, congratulou-se com o acordo, pois se espera que o país latino- -americano possa encaixar cerca de 209 mil milhões de dólares nos seus cofres. A administração Trump apresenta o acordo como uma extraordinária vitória económica e diplomática dos EUA, capaz de reforçar a segurança energética, atrair investimentos e reduzir os preços dos combustíveis. Entretanto, o contexto em que o acordo foi alcançado denuncia uma profunda assimetria de poder e permite interpretá-lo como expressão de uma diplomacia coerciva dos EUA. Ou seja, o triunfalismo de Trump está, na verdade, ancorado no exercício do que pode ser considerado “diplomacia de bullying”.

Trump apresentou o acordo petrolífero com a Venezuela como uma demonstração inequívoca da capacidade dos EUA de recuperar poder económico e estratégico. A expressão “maior acordo de petróleo da história mundial” não é apenas uma descrição económica; é também uma construção política destinada a transmitir a ideia de vitória nacional. Segundo o que foi noticiado, empresas norte- -americanas terão uma posição dominante no desenvolvimento de importantes reservas venezuelanas, com investimentos projectados em aproximadamente 100 mil milhões de dólares. Importa realçar, no entanto, que a magnitude das reservas envolvidas não deve ser confundida com propriedade directa dos EUA sobre o petróleo da Venezuela. Trata-se de reservas localizadas em território venezuelano e cuja exploração depende de complexas estruturas jurídicas, financeiras e empresariais. A linguagem triunfalista de Trump simplifica essa realidade e transforma uma operação de longo prazo numa narrativa imediata de conquista. Leia mais…

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