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Da “Riviera” ao “não há planos de expulsão”, EUA abandonam limpeza étnica de palestinianos?

Por Edson Muirazeque
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O Departamento de Estado (Ministério dos Negócios Estrangeiros) dos EUA anunciou, na semana passada, que Washington “não apoia qualquer plano” para a expulsão de palestinianos. Numa rara demonstração pública de desacordo com Israel, os EUA rejeitaram os apelos de altos funcionários israelitas para que a população palestiniana seja retirada da Faixa de Gaza. Com este posicionamento, a política externa de Donald Trump para Gaza parece, à primeira vista, ter entrado numa contradição. Em Fevereiro de 2025, Trump apresentou uma ideia que provocou enorme controvérsia internacional: os EUA assumiriam o controlo de Gaza, os palestinianos seriam deslocados para outros lugares e o território seria transformado numa espécie de “Riviera do Médio Oriente”. A proposta combinava uma visão imobiliária e empresarial do território com uma profunda transformação demográfica e política da Faixa de Gaza. Foi imediatamente denunciada por críticos como uma forma de limpeza étnica ou de deslocamento forçado sob a linguagem aparentemente neutra da “reconstrução”. Pouco mais de um ano depois, porém, Washington parece estar a enviar uma mensagem completamente diferente. Terão os EUA abandonado o seu plano de limpeza étnica contra os palestinianos?

A crise em Gaza, que foi despoletada com o ataque terrorista do Hamas contra Israel, em Outubro de 2022, parece estar cada vez mais longe de ser resolvida, embora aparentemente as duas partes tenham aceitado um cessar-fogo. Ao que tudo indica, os israelitas querem aproveitar-se da crise para, definitivamente, remover os palestinianos da sua terra. O Ministro da Defesa israelita, Israel Katz, disse, recentemente, que a despovoação de Gaza é a única “solução” para a crise. Em reacção ao pronunciamento do governante israelita, um porta-voz do Departamento de Defesa clarificou que “os EUA não apoiam qualquer plano ou proposta de deslocação forçada, expulsão ou transferência obrigatória da população de Gaza”. Este último pronunciamento denuncia um aparente paradoxo: como pode uma administração que apresentou a transformação de Gaza numa “Riviera” — acompanhada da saída da sua população — estar agora a dizer que não apoia a expulsão dos palestinianos? É importante lembrar que foi Donald Trump que, em 2025, lançou a ideia lançou a ideia de deslocação de palestinianos para a criação de uma “Riviera do Médio Oriente”. Trump olhava para Gaza numa dimensão meramente transacional: uma zona turística, económica e imobiliária de grande valor. Assim, a questão palestiniana era convertida numa questão de “real estate”: retirar a população, reconstruir o território e transformá-lo num novo centro económico regional. Essa lógica não desapareceu completamente do debate posterior. Documentos e propostas associados ao círculo político de Trump continuaram a alimentar discussões sobre reconstrução, administração internacional e eventual deslocação “voluntária” de palestinianos.  Leia mais…

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