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A união dos moçambicanos foi a chave para derrubar o colonialismo

Por Jornal domingo
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A união dos moçambicanos foi a chave para derrubar o colonialismo

Natural da aldeia de Namande, distrito de Mueda, província de Cabo Delgado, Zacarias Chivavi juntou-se à Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) em 1965, portanto, imediatamente ao início da luta armada de libertação nacional em 1964, curiosamente noutro ponto daquela província, concretamente no Posto Administrativo de Chai, distrito de Macomia.

Ao domingo, partilha que “a luta de libertação nacional encontra-me enquanto jovem e pequenito. Eu ensinava o ABC, era professor primário. Saímos da missão para o mato. Éramos muitos jovens. Já tínhamos ouvido falar da luta. Depois ingressei na FRELIMO. Os treinos intensivos na tropa foram em Mtwara, na Tanzânia. A ordem era combater o colonialismo.  “Fui do primeiro Sector, primeiro, e Segundo Sector, depois”.

“Primeiro Sector era a partir do Rovuma até Mueda, na província de Cabo Delgado. O segundo sector era no distrito de Muidumbe e o terceiro estava em Macomia. Recebemos treinamento na Tanzânia e também no interior de Moçambique”.

Recorda-se que foram momentos intensos e de grande dedicação da juventude que esteve comprometida em derrubar o colonialismo. Destaca, nesse período, orientações de combatentes como Eduardo Mondlane e Armando Guebuza, este último que veio a conhecer durante a luta em Cabo Delgado.

“A mensagem de Eduardo Mondlane rapidamente chegou a todos os moçambicanos. Falava de união, de moçambicanidade, o que veio a ser a chave para vencermos o colonialismo”.

Desde aquela altura, o Presidente Guebuza demonstrou visão e capacidade de nos orientar. Ainda no interior, em condições difíceis.

Para o sucesso, também conta que foi determinante o apoio da população à luta.

“Não produzíamos comida, mas sempre tivemos alimentos fornecidos pela população. Todos nos apercebemos que o nosso inimigo era o colonialismo português. Os jovens eram muito unidos. Havia algum rancor contra o sistema colonial e todos concordávamos que a guerra era a solução. Por isso pegamos em armas. Eduardo Mondlane foi um académico visionário porque desde essa altura nos fez perceber que éramos todos moçambicanos, por isso na tropa não havia tribalismo, divisionismo, tínhamos consciência de luta. Já não queríamos o sistema de exploração do homem pelo homem. Descobrimos que os portugueses vêm de longe e estavam a explorar-nos na nossa própria terra”.

Mas nem tudo foi um mar de rosas, conforme faz questão de registar:

“Perdi muitos companheiros que nunca mais voltei a ver. O sistema colonial português não valia a pena. Hoje perdoamos, mas foram momentos difíceis. Isso me lembra a guerra dos 16 anos, que novamente estive na frente de combate. O regime do Apartheid na África do Sul apoiou a Renamo para destruir o país. Foi terrível o que testemunhei. Vi muita gente morrer sem dó nem piedade. Nem quero recordar”.

VALORIZAR A INDEPENDÊNCIA

Depois da conquista da Independência Nacional, Zacarias Chivavi emprestou o seu saber e experiência ao Estado em várias frentes, incluindo na Assembleia da República, onde representou a bancada da Frelimo durante dois mandatos.

Entende que os combatentes tem sido valorizados ao longo do tempo e o Governo definiu uma política específica para o grupo dos que libertaram a pátria do jugo colonial português.

Contudo, lamenta que alguns jovens às vezes não percebam o significado da Independência Nacional justamente porque não viveram outra realidade diferente do período em que nasceram.

“Com muito orgulho fui condecorado com a Medalha de Nachingueya. Agradeço ao Presidente Guebuza que teve a iniciativa de reconhecer os combatentes de todo país que se sacrificaram pela pátria. Digo que valeu a pena tudo o que passamos porque hoje vejo um Moçambique livre e que continua a crescer”.

O nosso entrevistado evoca a necessidade de maior união para Moçambique vencer os desafios actuais, como o desemprego e a criminalidade. “Precisamos de união, identificar bem o inimigo comum e derrubarmos”.

Olha para a democracia como um sistema que por vezes divide as pessoas em situações que deviam unir-se por uma causa comum. “Somos um povo, e isso às vezes não se nota. Fazemos grupinhos quando é preciso união como nos ensinaram Eduardo Mondlane e Samora Machel. Confio no jovem Presidente Daniel Chapo porque está a conduzir bem o país. Vamos vencer, temos que acreditar nos nossos jovens. O Chapo tem que seguir em frente. Só e mais nada”.

Tal como referiu, as universidades, institutos e todo o sistema de educação tem o desafio de continuar a difundir a história de libertação de Moçambique para que os jovens tenham consciência das suas origens e não imaginarem que o país foi sempre o que encontram hoje. “Não tínhamos nada, não podíamos estudar e éramos privados de sonhar. Agora os nossos filhos podem estudar nas universidades e conhecer o mundo. A falta de acesso à educação atrasou muito o nosso país, por isso o acesso à educação é dos maiores ganhos da Independência Nacional”.

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