TEXTO DE IDNÓRCIO MUCHANGA E HERCÍLIA MARRENGULE
Termina hoje, em Ricatla, distrito municipal de Marracuene, província de Maputo, a 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM), que registou cerca de 54 mil visitantes, 1240 bolsas de contacto e 105 acordos de negócios celebrados.
Segundo Claire Zimba, porta-voz da FACIM, o evento serviu de plataforma para a apresentação, pela primeira vez ao mercado, de 23 produtos e serviços, num contexto em que a organização destaca uma procura significativa por oportunidades de investimento em Moçambique.
Ao longo da exposição foram realizados cerca de 76 seminários de investimento e quatro fóruns de negócios, com destaque para os encontros Moçambique-Brasil, Moçambique-China, Moçambique-Emirados Árabes Unidos e o Fórum de Negócios dos Pequenos Negócios da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
O Fórum da CPLP, realizado no âmbito das celebrações dos 30 anos da organização, procurou colocar no centro das discussões as oportunidades de integração económica entre os países lusófonos. Conforme Zimba, os países africanos da CPLP constituem uma porta de entrada para um mercado de cerca de 1,4 mil milhões de consumidores, enquanto Timor-Leste representa uma ligação ao mercado asiático, o Brasil ao MERCOSUL e à Península Ibero-Americana, e Portugal à União Europeia.
No balanço, Claire Zimba considerou positivo o desempenho da 61.ª edição, uma vez que, além do evento ter servido de montra comercial, reforçou a ligação entre a feira e o sector do turismo. Durante o evento foi lançado oficialmente o programa de celebrações do Dia Mundial do Turismo, assinalado a 27 de Setembro do ano em curso.
As actividades irão decorrer ao longo de todo o mês e envolverão diferentes actores do sector. A organização da FACIM destacou ainda a disponibilização de rotas turísticas para os expositores, com o objectivo de promover o conhecimento de Macaneta e de outros pontos de interesse turístico nas proximidades.
DISTINGUIDOS MELHORES EXPOSITORES
A feira encerrou com a distinção dos melhores expositores, instituições públicas, empresas, países e províncias, numa cerimónia de galardoação que reconheceu a inovação, qualidade de apresentação, responsabilidade social e capacidade de exposição dos participantes.
Os prémios foram atribuídos com base em critérios previamente definidos pelo júri, numa escala de zero a 100 pontos. Entre os principais critérios estiveram a originalidade dos produtos expostos, relevância da informação comercial, pontualidade na montagem e decoração dos stands, higiene e limpeza, qualidade da informação sobre as empresas e produtos, apresentação dos expositores, capacidade de atendimento aos visitantes e criatividade na exposição das marcas.
Na categoria de Melhor País Expositor, a Tailândia conquistou o terceiro lugar, enquanto a África do Sul ficou na segunda posição. A Alemanha foi distinguida com o primeiro lugar, numa participação marcada pela estreia do país na FACIM.
Entre as distinções especiais, os Emirados Árabes Unidos receberam um reconhecimento pela participação na feira, enquanto uma empresa chinesa foi distinguida na categoria de Melhor Expositor e Inovador Estrangeiro.
No âmbito nacional, na categoria de Melhor Instituição Pública, o terceiro lugar foi atribuído ao Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, enquanto o Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos ocupou a segunda posição. O primeiro lugar foi conquistado pelo Ministério dos Transportes e Logística.
O Ministério das Comunicações e Transformação Digital recebeu o prémio de Instituição Pública Revelação e Excelência, enquanto o Ministério dos Recursos Minerais e Energia foi distinguido pelo Melhor Pavilhão de Instituição Pública.
Na categoria de Prémio Agro-pecuário, a Tecap ficou em terceiro lugar, a Ramos Farma conquistou a segunda posição e a Cimtauros venceu a categoria.
Na posição de Pequena e Média Empresa Revelação, o prémio foi atribuído à Moz Super Hot. A InDesign foi distinguida como Melhor Stand PME, enquanto a Lumière Estúdio, Lda. venceu o prémio de PME Interactiva.
No PME com Produto Manufacturado, a Guptiza ficou em terceiro lugar, a Cooperativa Aliança Verde de Moçambique em segunda posição e a Aliança Moçambicana de Mulheres no Café conquistou o primeiro lugar.
Entre as províncias, Gaza foi distinguida com o prémio de Província Revelação e Resiliência. E para a Província Mais Informativa, a província de Maputo conquistou o terceiro lugar, Niassa ficou em segundo e Sofala em primeiro.
Na Província Melhor Gestora de Stand, teve cidade de Maputo na terceira posição, Zambézia em segundo lugar e Manica no primeiro posto.

Na categoria de Província com Mais Produtos Processados e/ou Embalados, Sofala ficou em terceiro lugar, Tete em segundo e Maputo conquistou a primeira posição.
No Prémio de Melhor Província Inovadora, Gaza ficou em terceiro lugar, Inhambane em segundo e Nampula foi anunciada como vencedora da categoria. Já na categoria de Melhor Província Expositora, Cabo Delgado ocupou a terceira posição, Nampula ficou em segundo lugar e Manica conquistou o primeiro lugar.
A edição contou ainda com distinções especiais, incluindo o Prémio de Design Conceitual e o reconhecimento atribuído através da votação popular para o Melhor Pavilhão da FACIM 2026.
CONTACTOS E OPORTUNIDADES
A participação na FACIM permitiu às empresas nacionais como a Cooperativa Aliança Verde estabelecer contactos com potenciais parceiros comerciais, intervenientes ligados ao sector dos supermercados e da distribuição.
Embora ainda não tenham sido assinados contratos, Cadino Chipanga, representante da cooperativa, considerou positivo o interesse manifestado por potenciais compradores e parceiros, que deixaram contactos para futuras negociações.
A empresa, que está a apostar na união de produtores nacionais como estratégia para fortalecer a capacidade de negociação das Pequenas e Médias Empresas (PME) e ampliar a presença dos produtos moçambicanos nos principais supermercados, reúne sete firmas que produzem artigos como licores, frutas secas, óleo de coco, farinha de malambe, mel, chás e cosméticos naturais.
Por sua vez, a Agronice Lda., especializada no fornecimento de insumos agrícolas e comercialização de produtos locais, aproveitou a 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo para estabelecer contactos, procurar parceiros e divulgar soluções destinadas aos moçambicanos.
Segundo o representante da Agronice Lda., Adolfo Marcelino, a participação na feira permitiu à empresa realizar encontros B2B, recolher contactos de potenciais clientes e participar em seminários relacionados com o sector agrícola.
Com oito anos de actividade no mercado nacional, a firma está presente em Manica, onde iniciou as operações, e no distrito de Chiúre, em Cabo Delgado.
Na ocasião, Marcelino considerou que a feira representou uma oportunidade para aproximar produtores, fornecedores, compradores e criar uma rede de negócios capaz de ampliar o mercado para a produção agrícola.
Já a empresa de consultoria e serviços de terrenos e meio ambiente, sediada no distrito de Mocuba, província da Zambézia, apostou na FACIM como plataforma para promover os seus serviços, produtos e estabelecer novas parcerias comerciais.
A firma actua em diferentes áreas, com destaque para topografia, estudos de impacto ambiental, arquitectura e elaboração de projectos de construção civil. Dedica-se, igualmente, à produção e comercialização de diversos produtos, como mel, cereais, grãos, feijão, farinhas e castanha de caju.
O administrador da empresa, João Paz, considerou que a participação deste ano na FACIM tem sido produtiva em comparação com a edição anterior, sobretudo pela maior adesão do público, visibilidade da marca e contactos estabelecidos com potenciais clientes e parceiros.
Paz mostrou-se optimista quanto aos resultados dos contactos realizados durante a feira, esperando que se materializem por forma a expandir os negócios para outras regiões do país. Leia mais…



