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O muro como ante-sala da escola

Por Jornal domingo
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Por Ginoca Mafutine

Em várias comunidades do país tem- -se observado um fenómeno que preocupa educadores, famílias e a própria sociedade: um número crescente de jovens que saem de casa com destino à escola, mas que permanecem atrás de muros, no período em que deveriam estar na sala de aula. Nestes espaços improvisados, o consumo de álcool ocorre ainda nas primeiras horas do dia, o que se reflecte em comportamentos de indisciplina, ausência escolar e deterioração da saúde física e emocional dos envolvidos. Os lábios avermelhados, o hálito e a postura são sinais visíveis de uma prática que já deixou de ser episódica para tornar-se recorrente.

O problema não se resume ao consumo em si. Trata-se de um sintoma de um vazio mais profundo. A escola, que deveria ser espaço de formação integral, tem encontrado dificuldades em reter esses jovens devido à falta de mecanismos de acolhimento, orientação psico-social e actividades extracurriculares que lhes despertem interesse. No ambiente familiar, a correria do dia-a-dia e as dificuldades económicas reduzem o tempo de diálogo e acompanhamento, o que cria brechas para que o grupo de pares assuma o papel de referência. É nesse contexto que o muro se transforma em ponto de encontro, onde a bebida é utilizada como forma de pertença, de alívio imediato e de fuga às frustrações acumuladas. Leia mais…

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