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Ídasse Tembe: o adeus ao ícone das artes!

Por Jornal domingo
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A 16 de Setembro do mês corrente, deu o último suspiro, no Hospital Central de Maputo, Ídasse Ekson Malendza Tembe, ou simplesmente Ídasse Tembe, vítima de doença. Foi-se o mestre, foi-se o homem que dedicou mais de metade da sua vida às artes, cultura e ao desenvolvimento artístico do país.

O artista plástico, que, aliás, fez digressão por outras várias disciplinas artísicas, nasceu no primeiro dia do mês de Julho de 1955, no vale do Infulene, e morreu aos 71 anos.

Multifacetado, fez, em 1979, o curso de Animador Cultural no Centro dos Estudos Culturais, com Malangatana e Domingos Manhiça, onde adquiriu conhecimentos de Antropologia, História da Arte Moderna e Arte Africana, Música, Fotografia, Teatro, Pintura, Cerâmica, Desenho e Xilogravura. Porém, bem antes disso, ainda muito jovem, fez piano e aulas de ballet. Dessa relação com a música, no início da década de 70 fez algumas músicas e, em 2023, partilhou com domingo que tinha intenção de um dia gravar um disco.

Música à parte, Ídasse fez-se conhecer, sobretudo, através da pintura e do desenho, tendo-se destacado pela criatividade singular, que o levou a ser considerado um dos 10 artistas mais criativos de África. No que concerne a exposições, apresentou-se em todas as principais galerias nacionais. De igual modo, levou a sua criatividade além-fronteiras e conquistou respeito e simpatia de apreciadores de arte internacionais.

Aventurou-se, também, pelo cinema. Ídasse trabalhou no Instituto Nacional de Cinema, onde criou o departamento de Artes e fez parte do pessoal que fazia o Kuxa Kanema. Foi um dos primeiros moçambicanos a fazer desenhos animados e legendas dos filmes. Na mesma senda, integrou o grupo que concebeu o cinema móvel, tendo trabalhado com Luís Carlos Patraquim e Rui Guerra.

Apaixonado por fazer coisas novas, envolveu-se na literatura e integrou o movimento artístico “Charrua”, onde fez o primeiro desenho da capa da revista e ilustrou capas de vários livros para autores nacionais, desde os consagrados aos mais jovens, até decidir dedicar-se às artes plásticas de forma particular.

Membro do Núcleo de Arte, da Associação Moçambicana de Fotografia e da Associação de Escritores Moçambicanos, defendia a ideia de partilha e era, também, patrono do projecto Mbaka, um núcleo de iniciação artística para crianças. Usava da sua arte para apelar que se faça o bem, que se opte sempre pelo respeito e amor pelo outro.

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