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PLANEAMENTO FAMILIAR: Uma escolha que pode mudar o futuro da mulher

Por Jornal domingo
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TEXTO DE REGINA NAETE
regina.naete@snoticias.co.mz

Isaura Sitoe (nome fictício), 51 anos, tem oito filhos. Ao longo da sua idade reprodutiva não planeou nenhum deles. Nada sabia sobre métodos de prevenção. Suas referências de maternidade não eram diferentes. Ela é a mais velha de 11 irmãos. Entre Isaura e a mãe há um denominador comum – não aprenderam sobre a possibilidade de decidir quando e quantos filhos ter. Quando se casou tinha o sonho de ter, no máximo, quatro, no entanto, o que fazer para concretizar este desejo é que foi a incógnita que a acompanhou por anos, enquanto os filhos não paravam de chegar.

“Não sabia que podia prevenir, apenas descobria a gravidez já com alguns meses. Isso interrompeu várias prioridades e sonhos que tinha. Sempre que ficava grávida era obrigada a desfazer meus planos e concentrar-me na gestação. Por esta razão, acabei tendo o dobro dos filhos que queria”, lamenta.

Este facto fez com que a sua juventude fosse o inverso do que imaginava. A sua vida resumiu-se em dedicar-se ao seu lar e filhos. Na primeira gestação, quando adolescente, interrompeu os estudos e nunca mais conseguiu retomar. Os intervalos de gestação não a permitiam concentrar- -se em outros planos. “Em pouco tempo ficava grávida e voltava à rotina de cuidar de bebé. Era assim em muitas de nós naquele tempo”, conta.

De acordo com o relatório publicado pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), de um inquérito realizado em 2022-2023, o uso do contraceptivo está fortemente correlacionado com a educação, ou seja, quanto mais alto for o nível de escolaridade frequentado, maior é a prevalência contraceptiva.

Dados do mesmo relatório evidenciam que a prevalência do uso de contraceptivos modernos entre as mulheres que nunca frequentaram alguma escola é quase cinco vezes menor, que corresponde a 11,9 por cento que a das mulheres com nível superior, que regista uma percentagem de 54,3. Ademais, aponta ainda o relatório que as províncias de Zambézia, Nampula e Cabo Delgado, no Norte do país, apresentam a percentagem mais baixa, de 38 por cento de mulheres actualmente casadas ou em união marital que usam algum método moderno, enquanto a província de Maputo regista a percentagem mais elevada de 63,2 por cento. Leia mais…

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