TEXTO DE CARLOS UQUEIO
A primeira imagem que Belgrado oferece não é exactamente aquela que se espera encontrar numa capital europeia. Antes dos monumentos, dos grandes espaços turísticos e daquilo que os guias costumam recomendar, encontramos uma cidade onde o tempo parece ter deixado marcas profundas. Nas primeiras deslocações pelas ruas da capital sérvia, o que chama a atenção é a presença de edifícios antigos, algumas fachadas visivelmente desgastadas e construções que, pela aparência, parecem ter atravessado décadas sem grandes intervenções. Há prédios que transmitem a sensação de estarem cansados, não necessariamente abandonados, mas envelhecidos, como se carregassem sobre as paredes uma parte da história de Belgrado.
Essa primeira impressão, contudo, não demora a se revelar insuficiente para explicar a cidade. Basta avançar algumas ruas para encontrar uma realidade diferente. Ao lado de uma construção antiga surge um restaurante moderno, uma loja sofisticada, um hotel ou um espaço comercial com uma arquitectura contemporânea. Jovens movimentam-se pelas ruas, os cafés ocupados e os transportes circulam continuamente. Belgrado apresenta-se, assim, como uma cidade onde diferentes épocas parecem coexistir no mesmo espaço, sem que uma tenha conseguido apagar completamente a outra.
É essa convivência entre o antigo e o moderno que começa por definir a experiência de quem percorre a cidade. Em determinados lugares, a arquitectura parece falar de um passado distante; noutros, o movimento das pessoas e a actividade comercial revelam uma capital dinâmica e voltada para o presente. Para quem observa através de uma máquina fotográfica, essa diversidade torna-se ainda mais evidente. Uma fachada envelhecida pode dividir o enquadramento com uma construção recente, enquanto uma rua movimentada pode terminar diante de um edifício que parece ter sido preservado de outra época. Leia mais…


