A assinatura, em Meca, do Acordo Conjunto de Defesa entre a Arábia Saudita, o Paquistão e a Turquia representa um dos mais significativos movimentos de reconfiguração da arquitectura de segurança do Médio Oriente nos últimos anos.
O pacto estabelece que um ataque armado contra qualquer um dos três Estados será considerado um ataque contra todos, criando uma obrigação política de defesa colectiva entre três importantes potências do mundo muçulmano. Mais do que uma simples declaração de solidariedade, o acordo deve ser interpretado como um sinal de que os seus signatários estão a procurar construir alternativas à tradicional dependência das garantias de segurança oferecidas pelos EUA.
A questão é particularmente relevante para a Arábia Saudita, cuja segurança nacional esteve durante décadas profundamente ligada à presença militar, à tecnologia e à protecção estratégica norte-americanas. O pacto é assinado num contexto em que os EUA e Israel iniciaram uma guerra contra o Irão. Essa guerra alterou profundamente o equilíbrio regional e expôs a vulnerabilidade dos Estados do Golfo perante ataques de mísseis, ameaças contra infraestruturas energéticas e perturbações das rotas marítimas.
Note-se que o anúncio do acordo acontece precisamente num momento em que os países do Golfo têm sido alvo de ataques iranianos, supostamente por serem repositórios de bases dos EUA.
Com efeito, para Riade a questão já não é apenas saber se Washington continuará a ser o principal garante da sua segurança, mas também até que ponto essa garantia será suficiente num cenário de guerra regional prolongada. A experiência recente pode ter reforçado uma conclusão estratégica: depender de uma única potência externa pode ser demasiado arriscado. É aqui onde o acordo de Meca ganha importância.
A Arábia Saudita possui recursos financeiros, energia e capacidade de investimento; a Turquia dispõe de uma das maiores forças militares da região e de uma indústria Arábia Saudita sinaliza que não quer depender somente dos EUA de defesa em rápida expansão (ela é considerada a segunda potência militar do braço armado dos EUA/ Opcidente, a Organização do Tratdo do Atlântico Norte – OTAN); e o Paquistão acrescenta uma capacidade militar significativa e, sobretudo, o estatuto de única potência nuclear do mundo muçulmano.
A combinação destes recursos cria uma equação estratégica muito diferente daquela que existia quando cada país dependia predominantemente de alianças bilaterais com potências externas. Leia mais…



