- Nancy Mafundza Come, consultora financeira
A falta de conhecimentos básicos sobre finanças continua a ser um dos principais desafios enfrentados por muitas famílias moçambicanas.
Para a consultora financeira Nancy Mafundza Come, esta realidade resulta da ausência de educação financeira desde a infância, tanto nas escolas como no ambiente familiar, o que leva muitos adultos a tomarem decisões sem o conhecimento necessário.
Foi precisamente para responder a esta lacuna que Nancy criou um programa de educação financeira dirigido a crianças e, mais tarde, alargado aos adolescentes.
A iniciativa, que já vai na quarta edição, procura desenvolver desde cedo competências de gestão do dinheiro, planeamento financeiro e tomada de decisões responsáveis. Na entrevista que se segue, Nancy Mafundza Come, explica as razões que a levaram a apostar na educação financeira infantil e descreve as metodologias utilizadas na formação e partilha os resultados que tem observado junto das famílias.
O que motivou a criação deste programa de educação financeira para crianças?
Abracei este projecto porque não gostaria que as dificuldades que os adultos têm para compreender conceitos básicos sobre finanças afectassem as próximas gerações. Nós chegamos à vida adulta sem qualquer informação sobre finanças e isso não deveria acontecer com os mais novos.
Na China e nos Estados Unidos, as crianças começam a aprender sobre dinheiro a partir dos cinco anos. Em Moçambique, muitas vezes, uma criança recebe 100,00 meticais para comprar pão e não sabe quanto custou nem quanto recebeu de troco. Isso mostra que ela ainda não tem qualquer relação com o dinheiro.
O nosso objectivo é ensinar, desde cedo, que o dinheiro é um instrumento de troca de bens e serviços.
Esta realidade levou-a a concentrar-se nas crianças em vez dos adultos?
Sim. Para mudar uma sociedade é preciso começar pela base. A mudança leva tempo, por isso queremos moldar gradualmente a nova geração, para que, quando chegar à idade adulta, possa influenciar positivamente outras pessoas.
A nossa meta é formar adolescentes que amanhã sejam adultos financeiramente estruturados.
De que forma ensinar educação financeira a uma criança pode influenciar positivamente a família?
Os filhos acabam por ser uma espécie de termómetro dos pais. Tenho observado isso nas formações de educação financeira para adolescentes. Quando ensinamos uma criança a compreender as despesas da casa, ela passa a não aceitar que os pais comprem produtos desnecessários.
Os adultos, muitas vezes, deixam-se levar pelas emoções durante as compras e acabam por fazer aquisições impulsivas. Já as crianças, quando assumem essa responsabilidade, tornam-se mais disciplinadas e chegam mesmo a alertar os pais durante as compras do rancho: “Isso não está na lista”.
Por isso, além de trabalhar com os adolescentes, procuro envolver também os pais. Os trabalhos práticos que proponho para casa incluem a participação dos progenitores, para que toda a família faça parte do processo de aprendizagem. Leia mais…




