Os EUA voltaram a bombardear, na semana passada, alvos no Irão, numa altura em que vigorava um cessar- -fogo e decorriam negociações destinadas a pôr fim ao conflito desencadeado por Donald Trump e Benjamin Netanyahu.
Na tentativa de justificar os ataques, duas instituições norte-americanas apresentaram explicações contraditórias. Enquanto o CENTCOM sustentou que os bombardeamentos tiveram carácter defensivo, enquadrando-os como acções de autodefesa, o presidente dos EUA, apoiado pelo seu secretário da Defesa, sugeriu que se tratou de uma acção previamente planeada para pressionar o Irão a aceitar as condições impostas por Washington.
Perante estas justificações divergentes, poder-se-ia dizer que Kenneth Waltz e John Mearsheimer, dois dos mais influentes expoentes da corrente realista das Relações Internacionais, estariam em rota de colisão na interpretação que dariam ao comportamento dos EUA na sua confrontação com o Irão.
No passado mês de Abril foi anunciado, depois de dois meses de confrontos, um cessar fogo na guerra que os EUA e Israel decidiram iniciar contra o Irão. O cessar-fogo tinha em vista dar espaço a negociações para pôr fim ao conflito.
Na semana passada, este cessar-fogo foi violado quando os EUA decidiram bombardear alvos iranianos por dois dias. Não se seguiu um terceiro dia de bombardeamentos norte-americanos porque Trump decidiu cancelar a decisão que diz que já havia tomado para um terceiro dia de lançamento de bombasEm retaliação, o Irão não só lançou ataques contra alvos militares dos EUA na região (Bahrein, Kuwait e Jordânia), como também anunciou o encerramento total do Estreito de Ormuz, a badalada rota de trânsito de petróleo que está a pressionar a economia mundial.
As autoridades iranianas alertaram todas as embarcações para que se mantivessem afastadas da via navegável estratégica, afirmando que qualquer navio que tentasse passar poderia ser atacado.Leia mais…



