Há dias, numa conversa informal com um renomado jornalista moçambicano, ouvi uma reflexão que me ficou gravada por conta da crise de combustível que se viveu nas últimas semanas. Ele decidiu deixar a viatura particular em casa e voltar aos transportes públicos, sobretudo aos machimbombos articulados. Disse- -me: “É ali onde se sente o pulsar da nação.”
Confessou-me que, no meio das viagens, das conversas espontâneas e da convivência entre passageiros, voltou a escutar o país real. Um país que fala sem formalidades e onde se partilham preocupações, ideias, esperanças, opiniões sobre política, cultura, futebol, família e o custo de vida.
Um espaço onde pessoas de diferentes realidades acabam por dividir o mesmo banco, o mesmo destino e, muitas vezes, os mesmos problemas. Por volta das 7.00 horas, apanhei um transporte na rota Marracuene- -Albazine. Entrei na zona de Muntanhane e, mais à frente, próximo de umas bombas de combustível, entrou uma jovem que aparentava ter a minha idade.
Curiosamente, acabámos por descer ambos em Albazine e depois seguimos noutro transporte em direcção à baixa da cidade. Desde o primeiro instante, percebia-se que ela não estava habituada àquele ambiente. Demonstrava algum desconforto, perguntou quanto custava o transporte e mostrava dificuldade em se adaptar à dinâmica normal de um chapa cheio logo nas primeiras horas do dia.Leia mais…



