Literalmente. Não é uma metáfora usada por Bula-Bula, como pode parecer, nem infelizmente se refere àqueles alunos da Escola Secundária da Liberdade, acusados de esfaquear um colega como se estivessem a sacrificar um galináceo, ou ave penosa que a valha, a sangue frio, sem sombra de remorsos, mas sentindo prazer em ver o sangue a gorgolejar, aos borbotões, nos golpes infligidos ao pobre.
Os miúdos que em tenra idade vão à cadeia estão em Nampula, na zona da Barragem, e este é um ritual que se repete todos os dias. Não que eles, os miúdos, tenham cometido algum crime ou tenham entrado em conflito com a Lei. Não, as raparigas e os rapazes a quem Bula-Bula se refere até fazem por ser bons cidadãos, e de certeza que algum dia o serão, mas porque alguém se eximiu das suas responsabilidades e acha normal que crianças e reclusos dividam o mesmo espaço, uns à hora do lanche e outros a hora do “banho de sol”, no mesmo pátio.
Bula-Bula ficou chocado com a ligeireza do director provincial da Educação, Williamo Tunzine, aos jornalistas a exibir um sorriso de cumplicidade e a confessar, assim como se estivesse a contar uma piada de mau gosto, que já que o assunto foi descoberto, porque despoletado pela Imprensa, “vamos retirá-las da cadeia e construir uma escola para elas”!
A impressão com que Bula-Bula fica é que se a Imprensa não despoletasse esta perversidade, esta enorme barbaridade, as crianças continuavam a estudar “normalmente” na tal cadeia, que se diz ser regional e recluir criminosos de toda a estirpe, até os condenados por crimes sexuais, incluindo pedófilos.
Felizmente, como confessou o director Tunzine, triunfante, “Sua Excia. a Ministra da Educação e Cultura está sensível e libertou a verba para a construção de uma nova escola e, logo que se identifique o espaço, vamos lançar a primeira pedra”. Bula-Bula não entende nada de construção civil, mas ficou com mau pressentimento diante do optimismo exagerado do responsável pela desgraça dos estudantes enclausurados, feitos prisioneiros a tempo parcial. Leia mais…



