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JOÃO SITOE: Desenhar para voltar a ouvir

Por Jornal domingo
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Texto de Regina Naete

KaTembe, distrito municipal situado na margem de Maputo, é um ponto turístico bastante visitado por cidadãos nacionais e estrangeiros. Um lugar convidativo pela praia de águas calmas, espaços de lazer, gastronomia de dar água na boca e manifestações culturais diversas.

É o local estratégico de João Sitoe, que faz uso de tudo que aquele espaço oferece e do fluxo dos visitantes para expor sua arte. Tem 17 anos e frequenta a décima segunda classe. Sonha em ser médico e transformar a vida dos seus três irmãos e mãe, com quem reside naquele distrito. Com recurso à areia molhada e alguns adornos caseiros, cria desenhos defronte da praia e exibe para quem por ali passa. Também rabisca retratos.

A iniciativa surge em 2024 após vários dias de observação de outro artista local que depois de algum tempo abandonou aquele espaço, o que imediatamente motivou o adolescente artista a dar continuidade àquele ofício. Afora isso, também foi uma oportunidade que João encontrou para ajudar a suprir as despesas de casa e, principalmente, encontrar solução para a sua saúde.

Na transição do ano 2018 para 2019, divertia-se com seus amigos, enquanto esperavam o momento da explosão de fogos de artifício, típico daquele momento, entretanto, João não fazia ideia que aquela virada de ano seria a última em que celebraria enquanto ainda possuía capacidade auditiva em perfeito estado. Quando o relógio marcava pontualmente 00.00 hora, seus amigos deram início à explosão de vários fogos de artifício e, naquele momento, foi atingido no ouvido direito. “Foi muito rápido. Acendemos aquele paixão cebolinha como nós chamamos, e aquilo foi bater uma parede e de seguida veio explodir dentro do meu ouvido”, conta o adolescente.Leia mais…

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