Há mais de dois anos, A. Ariete convive com o dilema de não saber o paradeiro da sua filha. N. Ariete saiu de casa em Janeiro de 2024, no bairro de Muatala, em Nampula, alegadamente para viver com uma amiga. Tinha então 18 anos e conflitos familiares mal resolvidos levaram a jovem a decidir recomeçar sua vida.
Durante o primeiro mês, ainda dava sinais de vida. Visitava a mãe com alguma frequência, mas evitava revelar onde estava a viver. Depois, o silêncio instalou-se. Foram seis meses de angústia, buscas infrutíferas e perguntas sem respostas.
“Foi como se tivesse desaparecido do mundo. Ninguém a tinha visto”, recorda a mãe. Ao longo deste período, desesperada, a família submeteu queixa à Polícia. Debalde. Foi então que decidiu também recorrer às redes sociais. Dias depois da publicação do seu desaparecimento, uma chamada de um número desconhecido trouxe um alívio que a família tanto ansiava. Era um suposto namorado, com quem ela teve um breve ralacionamento ainda em Nampula. N. Ariete fez saber que estava bem e já na cidade de Maputo.
Na ligação, pediu apenas que removessem as publicações sobre o seu desaparecimento. “Confortou-nos saber que estava viva, mas algo não estava bem.
A forma como falava…não era normal”, conta A. Ariete. Desde então, os contactos, que são raros, têm sido sem pre intermediados pelo suposto namorado, o que alimenta ainda mais as desconfianças na família, afinal, a jovem nunca revelou um endereço nem sequer procurou familiares na capital.
De acordo com a mãe, sempre que a Polícia tenta localizá-la, não a encontra. “Vivemos nesse desespero há dois anos. Sem provas de que esteja segura. Quando liga, parece sempre que alguém está ao seu lado a ditar o que ela deve dizer. E, quando tentamos contactá-la através do mesmo número, não conseguimos. Está sempre desligado. É como se fosse usado apenas para falar connosco”, lamenta a mãe. Leia mais…



