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Xi Jinping e Vladimir Putin querem multipolaridade

Por Edson Muirazeque
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Poucos dias depois de receber Donald Trump, Xi Jinping voltou a colocar a China no centro das relações internacionais ao receber Vladimir Putin, presidente da Rússia, em Pequim. A mensagem transmitida ao mundo — e especialmente aos EUA — foi clara: a China e a Rússia estão cada vez mais próximas, partilham interesses estratégicos comuns e defendem uma reorganização da ordem internacional baseada na multipolaridade. Enquanto a reunião entre Xi Jinping e Donald Trump foi marcada por gestos diplomáticos, cordialidade protocolar e declarações cuidadosamente calculadas para as câmaras, o encontro entre Xi e Putin teve um carácter mais concreto e estratégico. Para além do simbolismo político, os dois líderes anunciaram vários acordos de cooperação económica, energética, tecnológica e militar, reforçando a ideia de que a parceria sino-russa está a entrar numa nova fase de consolidação. No comunicado conjunto divulgado no final do encontro, coisa que não houve no encontro com Trump, Xi e Putin destacaram que pretendem construir um “mundo multipolar” e promover “um novo tipo de relações internacionais”.

A colocação dos dois líderes não aparenta ser uma mera retórica diplomática; ela reflecte uma visão política alternativa à ordem internacional dominada pelos EUA desde o fim da Guerra Fria. Para a China e a Rússia, o actual sistema internacional é excessivamente concentrado no poder norte-americano e nas instituições influenciadas pelo Ocidente. Assim, Moscovo e Pequim defendem uma redistribuição do poder global, em que várias potências regionais e económicas tenham capacidade de influência semelhante.

A ideia de multipolaridade baseia-se precisamente na existência de múltiplos centros de poder político, económico e militar. Diferentemente de um mundo unipolar, onde uma única potência exerce predominância global, ou de um sistema bipolar como o vivido durante a ocidentalmente designada Guerra Fria entre os EUA e a antiga União Soviética, a multipolaridade pressupõe um equilíbrio mais complexo entre diferentes actores do sistema internacional. Nesse cenário, países como China, Rússia, Índia, Brasil – os fundadores do BRICS – e outras economias emergentes passam a ter um papel mais relevante nas decisões globais. Leia mais…

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