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A fruta da noite não é a culpada

Por Jornal domingo
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TEXTO DE SOUSA GASTÃO

“O problema não está na manga, na banana ou na papaia depois do jantar, mas no excesso alimentar repetido, nos hábitos diários e nos mitos que confundem medo com ciência”. Há mitos alimentares que entram em casa com a autoridade de uma verdade antiga. Outros chegam pelo telemóvel, em vídeos curtos, com frases simples, música de fundo e uma segurança que dispensa explicações. Entre eles, um dos mais repetidos é este: “comer fruta à noite engorda”.

A frase parece inocente. Mas, em muitas famílias, muda comportamentos. A manga depois do jantar passa a ser vista com suspeita. A banana antes de dormir transforma-se em ameaça.

A papaia, a laranja ou ananás deixam de ser alimentos nutritivos e passam a carregar uma culpa que não lhes pertence. É assim que os mitos actuam, não alteram apenas opiniões, alteram hábitos. Entram nas cozinhas, reorganizam pratos, interrompem tradições e fazem com que famílias deixem de consumir alimentos saudáveis por medo. Em certos casos, uma mensagem mal explicada nas redes sociais tem mais força do que anos de prática alimentar equilibrada.

O mito apoia-se numa ideia aparentemente lógica: à noite, o corpo está menos activo, o metabolismo abranda e, por isso, tudo o que se come nesse período será mais facilmente transformado em gordura. Esta explicação tem uma pequena parte de verdade, mas uma conclusão errada. É verdade que o corpo em repouso gasta menos energia do que um corpo em actividade. Mas o organismo humano não se desliga quando escurece. O coração continua a bater.

O cérebro continua a consumir energia. O fígado continua a trabalhar. A digestão continua a acontecer. O metabolismo não funciona como um interruptor que passa automaticamente para “modo engordar” depois do jantar.Leia mais…

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