Arranca na próxima quinta-feira, na cidade de Maputo, a segunda edição do Clube de Energia, uma iniciativa promovida pela Associação Moçambicana de Engenheiros Eléctricos (AMELEC), com o objectivo de discutir soluções para o fortalecimento do sector energético nacional, com enfoque especial nas infra-estruturas de transmissão de energia eléctrica.
O evento vai reunir profissionais de diferentes áreas ligadas ao sector, representantes do Governo, empresários, gestores bancários, investidores e especialistas nacionais e estrangeiros, numa plataforma de debate orientada para a troca de experiências e análise das tendências do sector.
A iniciativa pretende definir perspectivas estratégicas para garantir maior segurança energética, expansão da rede nacional e melhoria da capacidade de fornecimento de energia às zonas industriais e mineiras.
Segundo a associação, o principal desafio actual não está apenas na geração de energia, mas na capacidade de transporte e distribuição. Apesar do crescimento dos investimentos em centrais térmicas, solares e projectos de produtores independentes, as infra-estruturas de transmissão continuam a receber pouca atenção, situação que compromete o aproveitamento pleno da energia produzida.
“Fala-se muito das centrais de produção de energia, porém esquece-se que, para essa energia chegar aos consumidores, é necessário existir uma rede forte de transmissão. Precisamos de um verdadeiro ‘backbone’ energético nacional”, explicou uma fonte ligada à organização.
A preocupação ganha maior dimensão num momento em que vários sectores económicos, parti cularmente a mineração, enfrentam limitações no acesso à energia necessária para o processamento local de minerais. De acordo com associação, a revisão da legislação mineira e as novas exigências de industrialização poderão aumentar ainda mais a pressão sobre o sistema energético nacional.
Depois do debate, a Associação Moçambicana de Engenheiros Eléctricos pretende produzir um documento técnico com recomendações concretas, que será submetido ao Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME). A pretensão é contribuir para o fortalecimento das infra-estruturas de transmissão, consideradas fundamentais para a transformação económica e industrialização do país.
O Clube de Energia pretende ainda aproximar diferentes actores do sector, incluindo engenheiros, economistas, reguladores, instituições financeiras e investidores privados, criando um ambiente de convergência para identificação de soluções sustentáveis. A associação considera essencial o envolvimento do sector financeiro, uma vez que os grandes projectos energéticos dependem de financiamento bancário e de modelos financeiros viáveis. Entre os principais desafios identificados está o elevado custo associado ao co-investimento em infra-estruturas de transmissão por investidores privados. Em muitos casos, os promotores dos projectos são obrigados a financiar parcialmente as redes eléctricas necessárias para viabilizar os seus empreendimentos.
Para reduzir este impacto, os especialistas defendem a criação de incentivos fiscais e financeiros que possam tornar os investimentos mais atractivos e sustentáveis. As propostas incluem benefícios fiscais, garantias adicionais e mecanismos de partilha de risco entre o Estado e o sector privado.



