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Fizeram a sujeira e agora querem que as Nações Unidas limpem

Por Edson Muirazeque
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O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, instou, semana passada, as Nações Unidas a pressionar o Irão para que cesse os ataques no Estreito de Ormuz, remova as minas terrestres e permita a passagem de ajuda humanitária. Juntamente com o Bahrein, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait e o Qatar, os EUA elaboraram uma proposta de resolução para o Conselho de Segurança das Nações Unidas que, se for aprovada, poderá levar à imposição de sanções contra o Irão — e potencialmente autorizar o uso da força caso Teerão continue a ameaçar a navegação comercial.

O pedido de socorro é curioso e revelador, visto que Washington há muito desdenha da Organização das Nações Unidas (ONU), frequentemente considerada ineficaz pela política externa norte-americana. No entanto, após iniciar uma guerra não provocada, sem consulta aos aliados e sem autorização da ONU, e perante a escalada dos preços do petróleo e um frágil cessar-fogo com o Irão por um fio, os EUA querem agora que seja precisamente a organização que tantas vezes desprezaram a assumir a responsabilidade pela contenção da crise. É caso para dizer: fizeram a sujeira e agora querem que as Nações Unidas limpem.

O pedido de socorro à ONU é, no mínimo, curioso. Durante décadas, Washington cultivou uma relação ambígua com as Nações Unidas. Sempre que as decisões do organismo internacional coincidiram com os interesses estratégicos norte-americanos, a ONU foi apresentada como símbolo da ordem internacional e da legitimidade diplomática. Porém, sempre que a organização impôs obstáculos políticos, jurídicos ou diplomáticos às ambições dos EUA, passou a ser retratada como burocrática, ineficaz e incapaz de responder aos desafios globais. A história recente oferece inúmeros exemplos dessa postura contraditória.

A invasão do Iraque em 2003 ocorreu sem autorização explícita do Conselho de Segurança da ONU. Em diferentes momentos, Washington ignorou resoluções internacionais, retirou financiamento de agências das Nações Unidas e enfraqueceu mecanismos multilaterais quando estes não serviam os seus interesses imediatos. No entanto, agora que a guerra com o Irão ameaça desestabilizar a economia global e escapar ao controlo militar inicialmente previsto, os EUA voltam-se precisamente para a instituição que tantas vezes desvalorizaram. Leia mais…

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