Entre as diferentes facetas trilhadas com vista à conquista da Independência Nacional, a área da Saúde, contada na primeira pessoa por Hélder Martins, que se tornou no ministro do sector após o período colonial, assumiu contornos recheados de curiosidades, em virtude de se ter recorrido aos chamados “pombos-correio” para a libertação do país.
Tudo começa em Dar-es- -Salaam, na Tanzania, com a finalidade de estabelecer contactos regulares entre a estrutura da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e os grupos clandestinos que haviam sido constituídos no território nacional, particularmente na cidade de Maputo, então Lourenço Marques. Perante as diferentes possibilidades colocadas na altura, surgiu a brilhante ideia lançada pelo então presidente Eduardo Chivambo Mondlane, no meio das conversas que mantinha, a título privado, com Hélder Martins.
Na altura, desempenhava as funções de director do Programa da Saúde do Instituto Moçambicano e assessor do Departamento da Saúde da FRELIMO, quando foi questionado por Mondlane se seria capaz de fazer um gesso a alguém envolvendo uma mensagem. Tendo respondido afirmativamente à questão, Hélder Martins diz que Mondlane apenas o advertiu que um dia receberia “mais notícias” em relação ao que estava a ser planeado.
O GESSO
Conta Martins que, certa manhã, recebeu um telefonema de Mondlane a perguntar se podia deslocar-se até à sua residência, visto que já se encontrava presente a pessoa que deveria ser engessada.
Em linguagem figurada, conforme salienta, a pessoa a quem foi colocada o gesso era tratada pela designação de “pombo- -correio”, tudo por conta de ser portadora de uma mensagem clandestina. Partilha que, assim que chegou à casa do presidente, deparou-se com uma jovem cuja idade rondava entre 21 e 22 anos, de nacionalidade suíça.
A sua beleza, algo estonteante, conforme destacou, seria, entre outros atributos, um dos aspectos mais marcantes das primeiras impressões com que ficara do “pombo-correio”. Depois de fazer o gesso num dos braços da jovem, colocando a mensagem que estava a ser expedida, a engessada partiu de Dar-es-Salaam em direcção a Maputo, voando como se de um pombo se tratasse. Da capital tanzaniana, inicialmente, a jovem rumou até Berna, tendo de seguida, viajado para Maputo. Leia mais…



