Início » O contacto directo com o Vaticano evita ruídos e potencia parcerias

O contacto directo com o Vaticano evita ruídos e potencia parcerias

Por Domingos Nhaúle
22 visitas
A+A-
Reset
  • defende Raul Domingos, embaixador de Moçambique na Santa Sé, em entrevista ao domingo

Foi negociador chefe do Acordo Geral de Paz (AGP) de Roma, em 1992, do lado da Renamo, primeiro chefe da bancada desta formação política na Assembleia da República, após as eleições multipartidárias de 1994. No ano de 2003, fundou o Partido de Desenvolvimento e Democracia (PDD). É pioneiro membro da oposição confiado ao cargo de Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário, neste caso, para o Vaticano, na Santa Sé, Roma, Itália.

Trata-se de Raul Domingos, que em entrevista ao domingo discorre sobre o seu trabalho em Roma, relacionamento com a Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), destacando que o contacto directo com o Vaticano evita ruídos e que valorizar quadros, independentemente das suas origens, é ser inteligente Segue a entrevista em discurso directo. Após ser nomeado embaixador junto da Santa Sé, disse que ia a Roma contribuir para a “reconciliação nacional, que é um elemento fundamental para uma paz efectiva”.

Que trabalho específico está a desenvolver nesse sentido?

A reconciliação nacional foi, é e continuará a ser a grande causa da minha vida pública. Quando afirmei, após a nomeação, que vinha a Roma para contribuir para a reconciliação nacional, fi- -lo com plena consciência de que a paz sem reconciliação é apenas ausência de tiros. E Moçambique precisa de mais do que isso: precisa de paz efectiva, que é a paz dos espíritos, a paz que permite o abraço entre irmãos que estiveram em campos opostos.

Nesse contexto…

Em Roma, o trabalho específico que desenvolvo assenta em três pilares. O primeiro é valorizar a memória e o método: A Santa Sé, através da Comunidade de Sant’Egídio, foi decisiva para o Acordo Geral de Paz de 1992. Esse método – escuta paciente, discrição, centralidade da dignidade humana – continua válido. Tenho mantido contactos regulares com a Sant’Egídio e com o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, para garantir que a experiência acumulada continue a iluminar os esforços actuais de pacificação, sobretudo em Cabo Delgado. A igreja não substitui o Estado, mas tem um capital moral único para curar feridas.

Qual é o segundo pilar?

Tem a ver com a diplomacia humanitária. A reconciliação faz- -se com gestos concretos. Tenho trabalhado para aproximar as agências humanitárias ligadas ao Vaticano, como a Caritas Internationalis e a Fundação João Paulo II para o Sahel, dos programas de apoio aos deslocados internos e de reconstrução de infra-estruturas sociais em zonas afectadas pelo conflito. Cada escola reaberta, cada centro de saúde reequipado, cada família que regressa à sua machamba é um tijolo na edificação da paz.  Leia mais…

Artigos relacionados