O jornalista Tomás Jane destacou na manhã de hoje, os desafios do Jornalismo em contextos de guerra, na mesa redonda alusiva aos 45 anos do seminário domingo.
Sob o tema: “Jornalismo em Contextos de Conflitos e Desastres”, Jane explicou que em momentos de crise, o jornalista pode salvar vidas. Na senda do debate mencionou o acesso às zonas de operações militares, que na maioria das vezes encontra-se grandemente fechadas à imprensa.
“O jornalismo fica dependente de fontes oficiais que confirmam pouco ou de relatos informais que não conseguem verificar. Nenhuma das duas situações segue o público”, disse.
Jane apontou ainda que a segurança física também entra em questão.

“Neste caso, podemos ver o que acontece com Jornalistas. Alguns são detidos, Intimidados e outros desapareceram durante as manifestações pós-eleitorais de 2024 e 2025. Reportes foram agredidos, tiveram o equipamento apreendido e foram impedidos de trabalhar”,referiu.
Igualmente anotou a precariedade como outro desafio no exercício da profissão em momentos de conflito.
“Muitos dos que cobrem as zonas de risco são correspondentes ou colaboradoras, sem contrato, sem seguro, sem telefone ou satélite, mas vão e cobrem os acontecimentos. Vão ao terreno por conta própria. E se algo acontecer, fica sutil” sustentou.
Pressão e a autocensura foi outro obstáculo levantado por Jane que afirmou que quando se é visto como estando de lado do inimigo apenas por se fazer perguntas incômodas, a tentação de não fazer as perguntas é grande e a polarização política agrava esta pressão.
Ainda no seu discurso, fez menção do trauma, um aspecto que considera pouco atentado nas redacções.
“Fala-se pouco disto nas nossas organizações. Quem fotografa corpos? Entrevista a crianças deslocadas ou de regressa de uma zona devastada por um ciclone traz consigo marcas invisíveis. Não temos, em regra, qualquer apoio psicológico para estas profissões. Como proteger, então, quem informa? “, questionou.


