- Fenómeno sobre alegado atrofiamento de órgãos genitais masculinos já provocou
39 mortes e 74 feridos
Um facto é indubitável: fenómenos culturais aparecem a todo momento. Há-os ligados à crença de que um ser humano tem a capacidade de lançar raio contra o outro, ou tem o poder de fazer mal ao outro, para além de “fenómenos de histeria colectiva, que de repente acontecem nas escolas, que depois se alastram”, aponta Rómulo Mutemba, psicólogo clínico, numa conversa com o jornal domingo.
O ponto é que “temos muitas questões relacionadas com crenças tradicionais, espirituais, etc.”, sendo que, “se essas crenças fossem aliadas à saúde e fizessem bem, seria muito bom. Mas elas trazem sofrimento, vítimas e maior parte delas são erróneas como esta, por exemplo, e que por efeito de contágio fica uma situação de descontrolo”. E o quadro actual é realmente preocupante.
A onda de desinformação ligada ao alegado atrofiamento dos órgãos genitais masculinos, resultantes de um mero toque com a mão, já resultou em pelo menos 39 óbitos e 74 feridos, entre graves e ligeiros, segundo deu a conhecer, na sexta-feira, em Sofala, o ministro do Interior, Paulo Chachine.
As vítimas foram linchadas e carbonizadas na sequência do pânico instalado ao propalar-se a possibilidade de um aperto de mão provocar o encolhimento dos órgãos genitais masculinos. Vale lembrar que o fenómeno que agitou muitas comunidades começou a circular na província de Cabo Delgado, no passado dia 18 de Abril, provocou frenesim nas redes sociais, alastrando-se, depois, para as províncias de Nampula e Niassa e mais recentemente, Zambézia.
Paulo Chachine classificou as incidências como uma ameaça directa à estabilidade do país e desafiou a Polícia da República de Moçambique (PRM) a agir com máxima firmeza para neutralizar qualquer tentativa de difusão de informações que visam promover a desordem pública ou o pânico entre as comunidades.
O ministro apelou ainda à vigilância e união de todos os sectores da sociedade, desde os líderes locais às estruturas administrativas, para a erradicação deste fenómeno, pois a prevalência deste tipo de superstições e boatos coloca em risco a harmonia social e a segurança de cidadãos nacionais e estrangeiros que circulam pelo território nacional. Leia mais…


