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NOTA DE ABERTURA: A semente do amor floresce com bondade e respeito!

Por Luísa Jorge
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Amanhã é Dia da Criança! Os nossos bairros, as artérias das nossas cidades, os parques e estabelecimentos de recreação estarão decorados com cores de arco-íris para receber e celebrar a criança.

Nós, domingo, também celebramos a efeméride brindando o caro leitor com esta edição especial dedicada ao pequeninos – as flores que nunca murcham do Presidente Samora Machel! Aqui, domingo celebra hasteando a bandeira das vitórias conquistadas ao longo dos anos na salvaguarda dos direitos da criança e no combate aos males que a afectam. Mas também assinala fazendo o que é pouco aprazível: tocando nas úlceras que enfermam a infância e a adolescência.

Um dos destaques é a entrevista com a representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Mary Louise Eagleton, que faz uma radiografia do trabalho humanitário desenvolvido por esta organização que, há meio século, tem cooperado com o país no desenvolvimento de uma infância com dignidade.

Nesta conversa, Mary Louise fala dos programas implementados, dos desafios e o trabalho conjunto com as outras organizações da sociedade civil. Também mergulhamos no conflito armado em Cabo Delgado e a crise humanitária que assola as crianças, deixando-as mais vulneráveis a males como a união prematura e abandono escolar. Neste capítulo, trazemos a voz da sociedade civil e do Governo para reflectir sobre esta realidade. Trazemos a história de persistência e luta de João Sitoe, menor de 17 anos, deficiente auditivo. Estudante do ensino secundário, João Sitoe usa seu talento na arte – através de desenhos na zona da praia de Catembe – para angariar apoio financeiro para comprar aparelhos que lhe devolvam a audição.

Os deputados mirins têm também aqui o seu espaço, como guardiões do bem-estar das crianças moçambicanas. Exteriorizam as suas inquietações, falam dos seus deveres como crianças e chamam a atenção da sociedade para a importância de consultarem as crianças sobre todos os assunto que as afectam. Também nos propusemos a reflectir sobre a crescente mendicidade praticada por menores nas ruas das cidades capitais e do trabalho realizado pelas autoridades governamentais para garantir que estas cresçam num ambiente são.

A toxicodependência, um mal que nos últimos tempos tem levado menores ao “fundo do poço”, é também aqui abordada com os meninos que combatem o mal nos centros de reabilitação. A violência, particularmente a sexual contra crianças, está a atingir proporções assustadoras no país e a afectar sobremaneira a saúde física e mental dos menores. Aos pais, às famílias e à sociedade no geral, deixa-se um apelo: a protecção da criança inicia em casa com a transmissão de valores, com diálogo respeitoso e aberto e, acima de tudo, dando-lhe espaço para expor as suas inquietações. A semente do amor só floresce em coração fértil de bondade e respeito!


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