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No submundo dos “sugar daddies”

Por Carol Banze
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  • Casados e endinheirados atraem alunas para as barracas do Museu

O ponto de encontro é um lugar (in)imaginável: barracas do Museu. Em poucas horas, um mar de crianças se avista, despidas dos uniformes escolares e caracterizadas de mulheres e homens prontos para “conversa” de adulto. “Sextou, tios”, gritam radiantes, num momento de interacção com a Reportagem do jornal domingo.

No local, um som alto e convidativo ecoa, e a animação das crianças aumenta, entre um sorvo e outro de bebida alcoólica. Com isso vêm os passos de dança, dança erótica. Elas esmeram-se na performance e superam a levantada de perna de Zodwa Wabantu, famosa dançarina sul-africana. O clima assemelha-se a de um cabaré. É regado a álcool e tragadas de cigarro electrónico, uma imediatamente atrás da outra.

O patrocínio chega pela mão de chefes de família; homens acometidos por amnésia severa, que num intervalo de tempo fá-los esquecerem-se das suas origens, valores… das respectivas idades. São os ditos “sugar daddies”, endinheirados que entram com a conta e deixam um saldo negativo na vida de crianças em idade escolar, raparigas e até rapazes de mochila às costas – a sua marca registada.

Alguns adultos são de massa avantajada. Eles ajeitam-se em caixas de cerveja para conseguir acomodar o abdómen proeminente. Por ali tentam acompanhar o ritmo dos mais jovens. De vez em quando, a vergonha bate à porta, encabulam-se e recolhem-se em viaturas estacionadas às margens do mercado.

As raparigas de escolas públicas e privadas localizadas nas imediações do mercado acompanham o ritmo, saltitantes e bamboleantes, ávidas por um dia diferente, animado, numa clara ilusão de “vida bom”.

A Polícia da República de Moçambique (PRM) circula no local. Contudo, o seu olhar de lince desvia-se com evidente indiferença perante os focos de libertinagem. O que resta são desabafos de quem vê de perto tamanha aberração. 

Felismina”, assim identificada nesta matéria, que presta serviços numa residência contígua às barracas do Museu, desmancha-se em lamentações quando abordada pela equipa do domingo e declara que “o que tenho visto aqui é pior de tudo que já presenciei na minha vida. São adultos, alguns idosos e bem posicionados, que pagam bebida para crianças. Chegam de carros, sobretudo às sexta-feiras. Muitas dessas alunas são da Escola Secundária Josina Machel. Elas tiram uniforme, arrumam nas pastas e põem outra roupa para atrapalhar até os vendedores de bebidas e cigarros. De qualquer forma, Filomena fala de má-fé da parte destes, porque “qualquer adulto consegue identificar um menor de idade”, argumenta e conclui que “é o dinheiro que estraga a vida das nossas crianças. É por causa do dinheiro que os comerciantes fecham os olhos, então, só podemos entregar tudo nas mãos de Deus. Ele é superior e pode fazer milagre”.Leia mais…

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