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Há barulho em Manica

Por Jorge Rungo
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  • Cidadão é acusado de usurpar terras comunitárias, “vender” o metro
    quadrado por 200,00 meticais e facturar 24 milhões.

O distrito de Manica, de per si famoso pela exploração desregrada de ouro, está novamente na ribalta devido a uma disputa pela posse de 60 hectares de terra, da zona de Forte Macequece, área de Mutambarico, que foram usurpados e “vendidos” a uma empresa mineira sem que a comunidade local fosse devidamente compensada.

“Apenas recebemos migalhas”, dizem. De acordo com Francisco Madumbe, líder comunitário, a desavença resulta de uma escolha feita em 2002, quando a comunidade votou no cidadão Lopes Quichine para ser titular de uma área que se acreditava, empiricamente, que tinha 200 hectares, e que era pretendida por um desconhecido investidor sul-africano.

Uma vez que Lopes é natural da zona e era tido como o mais escolarizado, viajado e esclarecido, a comunidade não hesitou em votar nele e permitiu que requeresse o título de Uso e Aproveitamento de Terra, (DUAT), numa altura em que ninguém imaginava o que havia no subsolo daquele espaço. Quando o ouro foi descoberto, as relações amargaram e, agora, diz-se que Lopes, no lugar de se dar por feliz com a enorme parcela que lhe cabe, está a “vender” continuamente a área comunitária e a beneficiar de compensações milionárias, estimadas em pouco mais de 24 milhões de meticais.

Para agravar, contam que o mesmo está a reduzir ao mínimo possível as áreas agrícolas, a permitir a eliminação de fontes de água e de pretender ocupar uma montanha que se encontra fora da área em discussão e protegida por lei.

A nossa Reportagem esteve no local e testemunhou um triste episódio que evidencia o quão tensas e azedas estão as relações entre as partes, com Lopes a ensaiar uma demonstração de filantropia por via de uma feira de insumos agrícolas, mas sem a devida coordenação com o governo do distrito e com a população hospedeira.

Ao que apurámos no local, Lopes enviou um convite ao administrador do distrito, Paulo Quembo, via WhatsApp, por volta das 22.00 horas da noite anterior, com a indicação de que este iria discursar, sem que tal programa tivesse sido acordado.

Na manhã seguinte, e já no local, presenciámos a chegada de representantes de uma empresa de venda de insumos e de camionetas que transportavam populares provenientes de aldeias distantes. A comunidade local assistia ao desenrolar dos acontecimentos com aparente calma.

Porém, volvidas algumas horas, Lopes tomou conhecimento do encontro inesperado entre as duas comunidades e que a população local escorraçara os visitantes que, num breve contacto com a nossa Reportagem, afirmaram que não tinham noção do que ali se passava. Por seu turno, Narciso Cardoso, sobrinho e representante de Lopes, confirmou que, de facto, há barulho em Mutambarico, porque, no seu entender, o seu tio é titular de uma área 200 hectares, mas as autoridades distritais estão a reduzir a área por motivos inconfessáveis. Leia mais…

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