O relógio do Professor voltou a despertar, como sempre, alarme barulhento e ruidoso, para acordar a cambada de moçambicanos adormecida, entorpecida por uma qualquer sociedade secreta que quer usar os seus dados, incluindo os biológicos, partilhando-os com aqueles americanos cuscuvilheiros, que tudo esquadrinham porque se julgam os donos, não há mundo que não lhes pertença…
Mas pode ser que alguns desses americanos, na posse de informação privilegiada de cidadãos moçambicanos, sejam os mesmos que pagam as contas do Professor, e Bula-Bula não gostaria de estar na sua pele quando os pagantes, os manda-chuva, descobrirem que, afinal, um dos seus peões anda pelas ruas de Maputo a protestar e a barafustar pelo tal acontecido, pelos dados dados, ou pelos dados roubados!
Foi bastar e o berreiro subsequente, quando os sensores do Professor detectarem um memorando de entendimento entre os governos de Moçambique e dos Estados Unidos, à base do qual a nossa saúde vai beneficiar de 1,7 mil milhões de dólares, entre 2026 e 2030, em troca de pretensa partilha de dados e de amostras biológicas, nossos legítimos algoritmos, incluindo os do Professor Adriano Nuvunga, substancialmente mais valiosos que os do Bula-Bula, evidentemente, e do mais comum dos moçambicanos!
Bula-Bula vai sequer arrazoar sobre o motivo de só agora comparecer, o dito memorando, como motivo de agastamento, provocando a indignação do Professor, que agora quer saber, com urgência, a natureza das informações que serão enviadas para Washington, se anonimizadas ou clínicas, ou se ambos, se individualizadas ou agrupadas, assim como os critérios de armazenamento, prazos, fiscalização e o destino final das amostras recolhidas.
A verdade é que permanece um enigma o facto de o mais iluminado dos professores, esclarecido que baste na defesa dos seus concidadãos, só agora tenha tomado ciência desta transferência de favores, porque rubricado em Dezembro de 2025!, à melhor dos quais Moçambique recebe dos EUA 1,7 mil milhões de dólares para a Saúde, sinal inverso ao procedimento destes mesmos americanos com outros países africanos, aos quais corta, reduz e amputa os seus quantitativos.
A dita, a assinatura do memorando, foi amplamente divulgada, a foto da ministra Maria Manuela Lucas, dos Estrangeiros e Cooperação, andou pelas capas dos jornais, inclusivamente Bula-Bula recorda-se de a ter visto passar na TVM, trocando pastas e sorrisos em Washington, com o tal de Christopher Landau, o secretário de Estado Adjunto, e perante gáudio sincero de Ussene Isse, ministro da Saúde.
Bula-Bula acha que não há aqui nenhuma conspiração envolvendo dados, e se os americanos os pediram foi mesmo para avaliar a eficácia e o êxito dos seus programas em Moçambique, mormente os ligados à malária e ao HIV, alvos e escopos do seu pecúlio de 1,7 mil milhões de dólares.
Não havendo nenhum “Código Da Vinci”, o único a haver seria um “Código Nuvunga”, solicitado pelos americanos ao ministro Ussene Isse para aferir se o QI de alguns professores é mesmo aquele que os mesmos dizem ter…


