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O último ensinamento de José Sixpence

Por Jornal domingo
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TEXTO DE CARLOS UQUEIO

Ao longo da minha carreira como fotojornalista, já testemunhei e fotografei inúmeros momentos de dor. Acidentes, funerais, despedidas e tragédias fizeram parte do meu percurso profissional. Sempre procurei cumprir a minha missão com o distanciamento necessário para registar os factos sem permitir que as emoções comprometessem o trabalho.

No entanto, na manhã do dia 10 de Junho do ano em curso, fotografei o velório de José Sixpence e percebi que há situações para as quais nenhuma experiência nos prepara. Saí de casa convencido de que seria capaz de enfrentar aquele momento com serenidade. Sabia que iria despedir-me de alguém que teve um papel importante na minha vida profissional, mas acreditava que conseguiria controlar as emoções e concentrar-me na missão que me havia sido confiada.

Bastaram poucos minutos no interior do Centro Cultural da Universidade Eduardo Mondlane para perceber que estava enganado. Ainda à distância, deparei-me com uma moldura contendo uma fotografia do Six que eu mesmo o tirei.

Durante anos, registei muitos momentos da sua vida pessoal e profissional, mas nunca imaginei que uma dessas imagens seria utilizada para assinalar a sua despedida definitiva. Aquele retrato teve sobre mim um impacto profundo.

Pela primeira vez, senti o peso da ausência de forma quase física. Contudo, o momento mais difícil aconteceu quando os meus olhos encontraram a urna. Até então, uma parte de mim continuava a resistir à realidade.

O homem que durante anos me orientou, aconselhou e acompanhou em inúmeras missões de trabalho já não estava entre nós. Foi nesse instante que a ficha caiu e lágrimas começaram a correr sem controlo.  Leia mais…

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