TEXTO DE BERNARDO JEQUETE
A Organização da Mulher Moçambicana (OMM) vai promover uma campanha de sensibilização às comunidades na província de Manica, com objectivo de prevenir o feminicídio, fenómeno que está a ganhar espaço nesta província e igualmente incentivar a camada feminina vítima de violência a denunciar os agressores.
O facto foi revelado pela secretária-geral da OMM, Cidália Chauque, que está de visita de monitoria à província de Manica, no quadro de acompanhamento do cumprimento das recomendações da V Sessão do Conselho Nacional da organização.
Segundo Chauque, a OMM está a acompanhar com preocupação a ocorrência de casos ligados a feminicídio que se tem registado em Manica, com destaque para o distrito de Mossurize, a sul desta província.
De acordo com a fonte, para inverter o cenário, a organização aposta em desencadear actividades de sensibilização das comunidades que registam casos frequentes do género e reforçar o diálogo no seio das mulheres sobre temas ligados à violência baseada no género e outros.
A dirigente explicou que muitas vítimas continuam a sofrer em silêncio por receio de denunciar os agressores, razão pela qual aquela organização feminina pretende intensificar palestras para desencorajar o acto.
Durante a sua visita nesta província, Cidália Chauque vai fazer a monitoria dos centros de acolhimento de crianças vulneráveis e avaliação do funcionamento dos círculos de interesse, considerados cruciais para a promoção de valores morais, fortalecimento das famílias e prevenção de problemas sociais, que inclui o consumo e tráfico de drogas.
“E esta visita ocorre numa altura em que a província de Manica, por exemplo, registou casos de feminicídio recentemente no distrito de Mossurize. Dentro do nosso programa, iremos visitar o distrito de Mossurize com o objectivo de sensibilizar as comunidades”, referiu.
A secretária-geral da OMM defendeu ainda o reforço da capacitação económica das mulheres, tendo dito que a organização está a preparar-se para beneficiar do Fundo Pro-Mulher, que se destinada a apoiar o empreendedorismo feminino com vista a melhorar as condições de vida desta camada.
Chauque entende que o desenvolvimento do país passa necessariamente pelo empoderamento económico da mulher, pois o acesso a oportunidades de geração de renda contribui para o bem-estar das famílias para o progresso das comunidades.
A fonte considera a sustentabilidade económica das mulheres como um dos principais desafios da organização, razão pela qual tem estado a criar mecanismos que vão permitir com que os seus membros beneficiem das oportunidades oferecidas pelo Fundo Pro-Mulher.
Também sublinhou que o fortalecimento da capacidade económica das mulheres é determinante para impulsionar o desenvolvimento do país, defendendo que uma mulher com rendimentos próprios tem melhores condições para sustentar a família, promover o bem-estar da comunidade e contribuir para o crescimento económico nacional.
“Para nós podermos desenvolver este país, temos que capacitar a mulher economicamente, criar condições para que esta mulher tenha dinheiro, assim o nosso país poderá desenvolver”, disse.



