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EM MANICA: Bebê órfão é alimentado de leite de vaca por falta de condições

Por Alfredo Armando
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TEXTO DE BERNARDO JEQUETE

A avó deu o nome do Presidente da República, Daniel Chapo, ao bebê que veio ao mundo a 15 de Março no hospital da localidade de Gojombe, no distrito de Macate, província de Manica, cuja mãe perdeu a vida pouco depois do nascimento da criança.

Por falta de condições, a avó, de 66 anos, está a alimentar o pequeno Daniel com recurso a leite de vaca e sumos improvisados.

Ao que apuramos no local, o nome atribuído ao bebê foi consentido pelas autoridades locais, pois o seu nascimento coincidiu com a visita de um grupo de membros da Organização da Mulher Moçambicana (OMM) e autoridades governamentais àquela unidade sanitária que ofereceram um enxoval à falecida mãe.

A avó, Amélia Sabonete, explicou que o pai do recém-nascido abandonou a mãe antes do parto e a finada queixava-se de dores de cabeça e de barriga, daí que Amélia viu-se obrigada a assumir a responsabilidade de cuidar deste e de outras seis irmãos de Daniel.

O leite de vaca usado para alimentar o bebê Daniel é fornecido pelo cunhado da avô, um criador de gado bovino naquele povoado.

A anciã explicou que todos os seus esforços para obter apoio junto do Instituto Nacional de Acção Social (INAS) e de outras entidades redundaram em fracasso dada a burocracia para a tramitação de documentos necessários.

Para sobreviver, Amélia vende milho e frutas na comunidade, mas admite que as dificuldades são muitas e o apoio é insuficiente. “Estou a pedir ajuda ao governo ou a pessoas de boa-fé. O número de crianças órfãs que cuido é grande e não tenho marido nem familiares que me possam ajudar”, desabafou a anciã.

A história do pequeno Daniel Chapo é tida como dolorosa dada a condição de vulnerabilidade para assegurar o direito básico à alimentação e cuidados de saúde para os menores.

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