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MESMO EM CONTEXTO DE CRISES: Jornalistas devem questionar sempre e duvidar do óbvio

Por Jornal domingo
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TEXTO DE HERCÍLIA MARRENGUL E GENÉZIA GERMANO

Um dos principais mo mentos das celebrações dos 45 anos do semanário domingo foi a mesa-redonda subordinada ao tema: “O Exercício do Jornalismo em Contexto de Conflitos e Desastres Naturais: Contribuições para a Democracia, Paz e Reconciliação Nacional”, que reuniu profissionais da comunicação social, académicos, representantes de partidos políticos e estudantes do curso do Jornalismo.

O encontro colocou em debate os desafios que se apresentam ao exercício do jornalismo em situações de conflito, calamidades e outras crises, numa reflexão que procurou, igualmente, analisar o contributo da imprensa para a democracia, a paz e a reconciliação nacional.

Na abertura, o presidente do Conselho de Administração da Sociedade do Notícias (SN), Júlio Manjate, afirmou que o jornal do mingo permanece fiel à sua vocação na abordagem cultural e aos acontecimentos sociais, mesmo num contexto de rápidas transformações impostas no sector da comunicação social.

Segundo Júlio Manjate, essa identidade tem raízes na própria génese do jornal que nasceu do propósito de conferir maior espaço ao jornalismo cultural em Moçambique. Ao evocar esse percurso, Manjate recordou a ideia de que “há um sentido profundo em tudo o que é humano, e a cultura abarca esse todo”, sublinhando que, hoje, tal como ontem, o principal objectivo do domingo continua a ser a produção de conteúdos que ali mentem um debate público plural, informado e qualificado, sempre ancorado no compromisso com os factos.

Afirmou que é neste equilíbrio que este semanário mostra a sua relevância no panorama midiático como uma publicação que, mais do que disputar audiências, procura servir o interesse público. Num tempo em que a informação pode ser facilmente instrumentalizada, o jornal assume-se como um exemplo de imprensa livre e responsável, comprometida com o combate à desinformação e à mentira, fenómenos que fragilizam a opinião pública e o funcionamento das sociedades democráticas.

COBERTURA DE CONFLITOS

Coube a Gil Lauriciano, jornalista que acompanhou a guerra civil em Moçambique entre 1976 e 1992, partilhar experiências e reflexões sobre o exercício da profissão, particularmente em contextos de conflito. Lauriciano explicou que ninguém inicia necessariamente a carreira com o propósito de se tornar especialista na cobertura de conflitos. Segundo o académico, é a própria realidade profissional que, muitas vezes, conduz os repórteres para situações de guerra, calamidades ou outras crises.

Para Lauriciano, trabalhar nestes contextos exige dos profissionais capacidade de adaptação, coragem e, sobretudo, uma postura permanente de questionamento perante os acontecimentos.

Ao recordar a evolução do jornalismo em Moçambique, destacou que o exercício da profissão esteve historicamente condicionado por diferentes formas de censura, controlo e assimilação.

De acordo com o jornalista, durante o período colonial esses mecanismos manifestavam-se de forma evidente e, com a independência nacional, em 1975, essas formas de controlo não desapareceram completamente, tendo, na sua perspectiva, assumido novas configurações. Para o decano, a diferença reside no facto de se terem tornado mais sofisticados ao longo do tempo.

Destacou que a exposição a diferentes situações permite ao jornalista compreender como trabalhar num ambiente em que as informações são, muitas vezes, contraditórias, incompletas ou até mesmo condicionadas.

Afirmou que uma das principais responsabilidades do jornalista, sobretudo em momentos de crise, é não abandonar a capacidade de questionar, sublinhando que “tudo o que parece claro é suspeito.” Leia mais…

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