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ATAQUES XENÓFOBOS: Violência “gratuita” atemoriza moçambicanos

Por Jornal domingo
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  • Nem as crianças dos migrantes estão livres dos operadores de “Dudula”

TEXTO DE DOMINGOS NHAÚLE E
MARIA DE LURDES COSSA

A onda de ataques xenófobos a migrantes africanos, inclusive moçambicanos, na África do Sul, está crescente e assustadora. A violência que começou em Kwazulu-Natal (Durban), há cerca de um mês, tendo atingido o pico nas últimas semanas, está a alastrar-se para outras cidades (Pretória e Joanesburgo). Trata-se de um movimento protagonizado pela tribo zulu através de uma organização da sociedade civil denominada March And March- Moviment, cuja operação designada por “Dudula”, termo zulo que significa expulsar, está a vitimar moçambicanos, angolanos, zimbabweanos, malawianos, nigerianos, etíopes, entre outros cidadãos estrangeiros que residem naquele país vizinho.

O movimento foca-se na ideia de que imigrantes ilegais são responsáveis pela criminalidade, desemprego, tráfico de drogas e tem como finalidade obriga-los a regressar aos seus países de origem. Essencialmente, através desta operação, os seus promotores exigem a aplicação mais rigorosa das leis de imigração, isto é, um controlo mais rigoroso nas fronteiras e acções decisivas contra redes criminosas.

“CAÇA” SEM DÓ SEM PIEDADE

Sem piedade, os sul-africanos “caçam” os migrantes em lojas, edifícios, avenidas, ruas, escolas e até mesmo em hospitais, para lhes exigir documentos de identificação com vista a conferir a legalidade da sua estada naquele solo pátrio. Sempre que se considera que a situação é irregular, ainda que o visado esteja dentro do hospital e doente, é retirado sem qualquer remorso. Nem as crianças dos migrantes estão livres dos operadores de “Dudula” que exigem que sejam retirados das escolas públicas, por alegadamente preencherem vagas que deveriam ser dos filhos de nativos.

Na última terça-feira, várias pessoas fizeram-se às ruas de Pretória em manifestação contra a permanência de estrangeiros. Igualmente na quarta e quinta-feira da mesma semana foram registadas manifestações em Joanesburgo, movidas pelos mesmas razões, e estão previstas acções semelhantes para amanhã, dia 4 de Maio.

Destaque-se que, segundo um relatório de 2022 do Instituto de Estudos de Segurança (ISS), existem cerca de 3,96 milhões de migrantes na África do Sul, o que constitui 6.5 por cento da população, um número em consonância com as normas internacionais, naquele país com 65.3 milhões de habitantes.Leia mais…

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