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“CABEÇA DO VELHO”: Atractivo turístico repleto de “poréns”

Por Jorge Rungo
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É o símbolo-mor da cidade de Chimoio, a capital da província de Manica, com um forte impacto visual, sobretudo para quem a avista pela primeira vez, e ainda mais para quem tem a sorte de o escalar e, lá do alto, ter aquela vista deslumbrante da área circundante da cidade… apreciando o pôr do sol, o luar, o silêncio ou uma leve brisa a meio da tarde. Pura poesia.

Daquele ponto é possível ver um belo verde de copas das árvores que se mesclam com as coberturas novas e velhas das habitações dos bairros periféricos da cidade, e os edifícios públicos e privados que se erguem no horizonte. É chamado de “Cabeça do Velho” por isso mesmo.

Por ser um monte que tem a configuração de uma cabeça de um velho deitado com o rosto virado para o céu, com traços bem definidos de testa, nariz, boca e queixo, fruto de uma formação rochosa esculpida pela natureza. Os melhores ângulos para uma vista perfeita são a zona da Direcção Provincial da Saúde (DPS), na Estrada Nacional Número Seis (N6), o terraço do Inter Hotel ou ainda no prédio conhecido por Manuel Nunes, este último, situado numa zona muito mais próxima do monte.

Também se vê muito bem a partir do edifício que acolhe o Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique (CP-PRM) de Manica, mas essa vista não é para qualquer um, por razões óbvias. Este monte é visto como atractivo turístico por pessoas das mais variadas origens, inclusive jovens enamorados locais, que trocam promessas dfidelidade e amor lá no cume, e outros que apenas buscam bater os seus recordes pessoais de rapidez na escalada e descida, havendo alguns que sobem e descem várias vezes ao dia, sob pretexto de buscarem um corpo “fitness”.

O local é, igualmente, apreciado por pastores das mais variadas igrejas que fazem as suas peregrinações, seguidos pelas suas “ovelhas”, por consideram que, a partir daquele ponto, facilmente podem se fazer ouvir diante de Deus, pois, de certa forma, estão mais próximos do céu, graças aos seus cerca de 780 metros de altura acima do nível médio das água do mar.

Aliás, é importante lembrar que Manica é a província com a maior concentração nacional de igrejas e seitas registadas. Não importa o dia e hora. Tem sempre alguém a rezar por ali, nas mais variadas línguas, estilos e formas. Uns de joelhos, outros sentados, um grupo em pé, com batinas coloridas ou vestimentas brancas. Uns optam por batucadas, outros preferem cânticos e danças, enfim. É a fé ao rubro, com apogeu aos fins- -de-semana. Enquanto uns namoram, rezam e fazem competições, há quem olha para o mesmo monte como lugar de contacto com espíritos ancestrais, uma vez que se conta que, nos tempos que lá vão, alguns líderes tradicionais terão sido sepultados na zona do queixo do monte, lugar onde, coincidentemente, tem uma formação florestal “densa”, elemento que reforça o misticismo do espaço.

O peso da componente mítica e tradicional foi tanto naquela área que, até há poucos anos, quem quisesse escalar tinha que se prostrar, descalço, dentro de uma cabana, diante de um líder tradicional, fazer oferendas, pedir autorização e receber as respectivas “passwords” para evitar ofender as divindades espirituais que se dizia que circunvagavam por ali.

Todavia, e como diz o primeiro verso de um soneto do poeta português, Luís de Camões, “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, as regras que antes valiam e eram obedecidas de forma dogmática, hoje perderam o fulgor e o monte se tornou acessível para qualquer interessado em visitá- -lo, com a grande vantagem de não ser necessário pedir licença.

SEM INDICAÇÃO DO CAMINHO

A fama que o “Cabeça do Velho” carrega contrasta com o descaso com que a mesma é tratada pelas autoridades ligadas ao sector do turismo, a nível municipal, provincial ou nacional, uma vez que por toda a cidade de Chimoio não existe uma única indicação sobre o trajecto que se deve seguir para alcançá- -la.  Leia mais…

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