Numa atitude que transbordava abuso de função, um agente da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) foi condenado a uma pena de 12 anos de prisão por roubo de uma motorizada, a qual, na circunstância, estava a ser usada por um jovem moto-taxista.
A Sétima Secção Criminal do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo admitiu por acórdão não terem restado dúvidas que aquele facto criminoso foi protagonizado pelo agente da UIR, no bairro Magoanine “C”, na capital do país. Tudo desenrolou-se como uma cena típica da sétima arte, conforme consta da pronúncia, que destaca que o roubo foi agravado pelo facto de o agente, para cometer aquele delito, ter recorrido a uma arma de fogo do tipo pistola com a qual ameaçou a vítima.
ASSALTO
O roubo aconteceu no dia 11 de Dezembro do ano passado, cerca das 23.00 horas, próximo do terminal de “Matendene”, quando o motociclista acaba de desembarcar um passageiro, com a particularidade de ter sido numa zona não muito distante de um conglomerado de barracas que se dedicam à venda de refeições e bebidas alcoólicas, inclusivamente de bastante movimento.
O membro da UIR, juntamente com um amigo de longa-data, conhecido pela alcunha “Tiba–Bem”, cuja relação se estendia aos momentos de confraternização e consumo de álcool, usou da musculatura para dominar o jovem que na ocasião conduzia a motorizada. Mesmo se eventualmente alguém tentasse intervir no momento em que o roubo estava a ser protagonizado, a julgar pela opulência física do agente, seria capaz de se “pôr ao fresco”, conforme rezam os ditos populares.
Não fica claro no acórdão se, por ventura, se tratava do primeiro roubo daquele agente, uma vez que apenas faz alusão ao facto de que se dedicava ao cometimento de assaltos na via pública. Sobre este aspecto, não restaram dúvidas para quem esteve presente na sala do julgamento.
O agente, acompanhado do referido comparsa, aproximaram-se da vítima manifestando, algo disfarçadamente, a intenção de consultar acerca de um determinado lugar, algures no bairro do Albazine, quando, efectivamente, a vontade era muito bem diversa. Qual dissimulação. Enquanto o motociclista se desfazia em dar as indicações solicitadas e respectivas coordenadas, algo surpreendentemente, o policial retirou uma pistola, a qual a manipulou e apontou na direcção da vítima. Ou seja, o que se seguiu foi a consumação do facto criminoso. Leia mais…


