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A luta inglória de uma mãe viúva

Por Luísa Jorge
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Quando Laura Sitoi soube das filhas que a sua caçula, de 16 anos, estava grávida, sentiu o mundo a desabar sobre si. Podia jurar haver alí algum engano ou, no mínimo, um equívoco. Tudo que perguntava era onde teria falhado.

O seu lado maternal recusava-se a aceitar. Apenas isso. Partilhou o infortúnio com a vizinha mais chegada e, sem rodeios, esta questionou-a se não conseguia perceber as mudanças na aparência física da sua menina. “Fui a última pessoa em casa a saber da gravidez.

Só acreditei quando ela confirmou. É que sempre foi muito quieta e de poucas amizades”, desculpa-se. Carla (nome fictício) estava no sexto mês de gestação. Para aquela viúva e mãe de sete filhos, nada mais restava senão saber quem era o progenitor e preparar-se mental e financeiramente para a chegada de mais um elemento na família. Mas não tardou para perceber que a probabilidade dela se tornar a principal responsável pelo bebé era de 80 por cento. O autor da gravidez tem 19 anos e vive com a mãe no mesmo bairro. Entretanto, quando este soube da situação da adolescente, teria se mudado para viver para casa do pai, longe do município de Boane, província de Maputo.

Desde que o seu companheiro faleceu há três anos, Laura tornou-se a única provedora da casa. Vende hortículas e legumes na vila de Boane, naquele mercado que tende a expandir-se à beira da estrada. Para aumentar a renda familiar, introduziu as filhas gémeas de 17 anos no negócio. “Cada uma tem a sua banca. Assim conseguimos ter um pouco mais. Não tinha alternativa. Elas vendem depois de voltarem da escola. Carla ficava em casa com o irmão mais novo e ajudava na cozinha”, partilha.

Tem consciência de que o facto de ser relativamente ausente em casa possa ter contribuído para que a filha contraísse gravidez. “Saio de casa muito cedo para ir ‘gwevar’ (comprar a grosso) produtos para vender e só volto para casa ao anoitecer. Talvez por causa disso não prestei atenção na gravidez. Saio cedo e volto tarde. Via- -lhe por pouco tempo. Mas não tenho alternativa, preciso conseguir dinheiro para sustentar as crianças”, admite.

Depois de a gravidez se tornar visível, Carla perdeu a coragem de retornar às aulas e parou de estudar. Estava a frequentar a 10ª classe. Mas manifesta a vontade de voltar a estudar futuramente. A gestação prematura é reflexo de uma realidade que há muito afecta as raparigas no país. De acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDS 2022-23), mais de 50 por cento da população feminina inicia a vida sexual muito cedo, com menos de 16 anos, o que aumenta a probabilidade desta lhe lidar com a maternidade ainda na idade escolar, forçando-a a abandonar os estudos.

129 DESISTÊNCIAS NO ANO PASSADO

Além de Carla, uma das filhas gêmeas de Laura, a Atália, de 17 anos, não está a estudar. Segundo a mãe, a desistência deveu-se à falta de condições financeiras para custear o transporte e outras despesas escolares. Atália interrompeu os estudos no ano passado, depois de ter reprovado na 10.ª classe.

Das três filhas com quem ela vive, apenas uma estuda. Apesar de tudo, Laura reconhece que esta situação poderá prejudicar o futuro delas. Não tem nenhum contacto com a família do falecido esposo. Leia mais…

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