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ATAQUES XENÓFOBOS: Voltar para casa só com a roupa no corpo

Por Abibo Selemane
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O alvorecer da manhã, na passada quarta-feira, na fronteira de Ressano Garcia, na província de Maputo, foi atípica. “Cheirava” à desgraça.  A chegada da caravana que transportava os nossos concidadãos reflectia a intolerância e péssima convivência entre moçambicanos que para a África do Sul migraram à busca de melhores oportunidades de vida e os negros sul-africanos.

Famílias separadas, desesperadas e sonhos destruídos é o que se testemunhou no seio de muitos dos mais de 500 cidadãos que regressavam fugindo dos ataques xenófobos após verem seu património destruído. Eles carregavam apenas a esperança de encontrar protecção e nova oportunidade para reconstruir suas vidas no país que os viu nascer.

Chegaram debilitados. Na fuga não houve tempo para levar água, nem comida.  A prioridade era manterem-se vivos. Há quem contou que ficou três dias sem tomar uma refeição quente. Com os olhos quase a escorrer lágrimas, trazendo consigo apenas uma mochila nas costas ou um saco plástico contendo roupa nas mãos, outros ainda com apenas uma peça amarrada no ombro, relataram os momentos de terror que presenciaram nas comunidades onde residiam, nos arredores da Cidade de Cabo e do Mossel Bay, na província de Cabo Ocidental.

São cenários que dificilmente serão superados. Todas conquistas alcançadas ao longo dos anos foram reduzidas a cinzas. Há cidadãos que, para além de bens, se viram obrigados a deixar para trás companheiros de uma vida. Atravessavam a fronteira sem conseguir localizar e se comunicar com os amigos e alguns familiares, que também vivem naquele país.

“Perdi a minha casa e tudo o que tinha adquirido ao longo dos últimos anos. Agradeço a Deus porque estou em pé. Recebi a informação sobre esta agitação quando estava a voltar do serviço, na sexta-feira. De lá tomei um novo rumo à procura de um esconderijo”, narrou Titos Marcos, que regressa ao bairro de Hulene, cidade de Maputo.  Leia mais…

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