Texto de Regina Naete
Era mais um dia de trabalho; mais uma manhã em que se levantara para cumprir os seus deveres no seu atelier. Julgava que, como nos outros dias, seria outra oportunidade para seguir tranquilamente com as suas tarefas. Mas, o que não chegou a imaginar é que, naquela tarde, a sua vida e carreira mudariam por completo: foi vítima de uma bala perdida na região inferior do seu rosto, concretamente na boca, durante as manifestações pós-eleitorais.
Naquele momento, não percebeu o que havia sucedido até recuperar a consciência no hospital. Parte do seu rosto ficou desfigurado. Aquela bala mudou também a sua visão do mundo e a forma de projectar as suas colecções; o incidente também deixou memórias que a mente não consegue apagar, “tudo mudou, não só o meu rosto, mas tudo mesmo”.
O depoimento é de Alcina Penicela, 28 anos de idade, estudante do curso de Design e apaixonada por moda desde a infância. Entrevistada pelo domingo, recorda-se do tanto de vezes que nos tempos livres se entretinha com programas televisivos de moda nacional e internacional. Aproveitava para fazer “rabiscos” e esboçar algumas peças.
Quando terminou o ensino médio, o seu plano era formar-se em Psicologia. Entretanto, depois de não admitir na universidade onde pretendia fazer a licenciatura, inscreveu-se no curso de corte e costura por iniciativa de sua irmã.
Durante a formação, percebeu que possuía facilidade de aprender, facto que despertou vontade de seguir por aquele caminho para o resto da sua vida. Hoje, conta a sua história marcada de episódios dramáticos, mas também de superação. Depois de passar por inúmeras cirurgias, voltou a sentar-se à máquina para fazer o que mais gosta, isto porque defende que “a vida é injusta, mas mesmo nessa injustiça, não podemos perder a alegria de viver. Não podemos deixar de fazer as coisas que gostamos. Leia mais…



