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O marido da noite

Por Carol Banze
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Passava da meia-noite quando Celeste sentiu uma presença estranha invadindo o seu corpo. Dedos pálidos e frios acariciavam a sua pele, deixando-a completamente paralisada no seu colchão encardido, forrado de mukume. Uma tentação demoníaca, paradoxalmente sedutora, dominava-a e, em poucos segundos, rendeu-se a tal entidade que desde a adolescência vigiava-a e reivindicava exclusividade da sua posse.

O monstro vindo do além era o marido da noite, uma herança das trevas guardada pela sua família e que, de geração em geração, despertava para reclamar o lugar naquela que nascera marcada para ser sua esposa, impedindo-a inclusive de gerar vidas.

A vizinhança de lá das bandas de Boane, já habituada às histórias de feitiço, comentava entre si que a situação de Celeste tinha raízes na ganância dos seus antepassados. Já havia notado que dentro do seu lar o ambiente não era dos melhores, facto que servia de pretexto para Jossia, o seu marido de carne e osso, passar horas a fio nas barracas onde afogava as mágoas num copo de cerveja e terminava invariavelmente nas mãos de outras parceiras.

Preocupada com o rumo das coisas, a família de Celeste decidiu agir, buscando auxílio em Mahelane, onde residia Mahigo, uma curandeira famosa pela sua sabedoria em quebrar pactos demoníacos. Na leitura dos tinhlolos, afirmou que o mal tinha origem no karma cavado pela avó paterna de Celeste, ao entregá-la para saldar uma dívida aos espíritos que a ajudavam na agricultura. A nyamusoro jurou agarrada ao seu cajado que a cura para aquele problema somente se encontraria pela mão de maziones, através de um banho nas águas do mar. Leia mais…

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