A proliferação de indivíduos que recorrem ao curandeirismo para prometer riqueza fácil e obter vantagens financeiras está a comprometer a credibilidade da medicina tradicional na província de Gaza, segundo reconheceu, esta e segunda-feira, em Xai-Xai, a Associação dos Médicos Tradicionais de Moçambique (AMETRAMO).
Fulgêncio Nhabanga, membro da AMETRAMO, que manifestou a preocupação, fe-lo durante as celebrações do Dia da Medicina Tradicional Africana.
Segundo a fonte, outro grupo que preocupa a agremiação é das pessoas que utilizam as redes sociais e programas televisivos, para divulgar falsas promessas de enriquecimento, em nome da medicina tradicional.
Segundo a fonte, estas práticas contrariam os princípios da actividade e contribuem para desacreditar o trabalho desenvolvido pelos verdadeiros praticantes, cuja missão é apoiar as comunidades na promoção da saúde e do bem-estar.
Nhabanga afirmou que muitos destes indivíduos procuram transformar o curandeirismo num negócio lucrativo, explorando a vulnerabilidade das pessoas através de promessas irrealistas de obtenção de riqueza, aquisição de bens e resolução de problemas financeiros.
“O curandeirismo não foi criado para enriquecer ninguém. O seu objectivo é tratar pessoas e contribuir para o bem-estar das comunidades”, sublinhou.
A fonte apelou aos praticantes da medicina tradicional para que regressem aos valores que sempre nortearam esta actividade, baseada no uso de plantas medicinais e no respeito pelos conhecimentos ancestrais.
Na ocasião, denunciou ainda actos de vandalismo contra curandeiros registados em alguns distritos da província, nomeadamente Guijá, Mabalane, Chókwè e Chigubo, onde residências e material de trabalho de praticantes foram destruídos por grupos que contestam a actividade.
Perante este cenário, a AMETRAMO reiterou o seu compromisso com a defesa da medicina tradicional responsável e apelou à população para denunciar indivíduos que utilizam falsas promessas para enganar cidadãos e obter ganhos ilícitos.
A associação considera que o combate às práticas fraudulentas é fundamental para preservar a imagem da medicina tradicional e reforçar a sua contribuição para os cuidados de saúde das comunidades.


