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Crédito inalcançável ao bolso do cidadão comum

Por Luísa Jorge
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Aos 58 anos de idade, Arlindo Lhavanguana não possui casa própria. Vão 10 anos que vive com a família numa moradia emprestada pela irmã. Mas garante que não é por distracção ou falta de vontade de estar debaixo de seu tecto.

As circunstâncias da vida empurraram-no para esta condição. Ainda assim, alimenta o sonho de erguer as paredes da sua “tipo-3” e já tem um espaço para materializá-lo. Há uns bons pares de anos, adquiriu um terreno que lhe custou 25 mil meticais.

O pagamento para o trespasse foi feito de forma parcelada. E, num passado recente – isto há oito meses – fez contas à vida e ensaiou os primeiros passos comprando alguns blocos, mas não conseguiu passar disto. As despesas familiares baralharam-lhe.

Trabalha na área de construção civil, como mestre de obras. Aprendeu o ofício na África do Sul, para onde foi em busca de emprego quando tinha apenas 18 anos, altura em que a idade o permitia deixar a vida o levar. Hoje, à porta dos 60, tem noção de que ter uma casa implica um investimento financeiro robusto, sobretudo nos dias que se vão, e, por simples que seja, o tipo de moradia.

Na casa emprestada, de tipo-2, Arlindo vive com a esposa e mais três filhos. O mais velho tem 28 anos e o último, 24. Diz não se incomodar com isso. Até porque dos blocos que conta ter depositado no seu terreno, parte deles foram comprados pelo filho mais velho. Agora são dois “bolsos” a investir nesta luta.

“A casa será deles também. Por mim, os meus filhos podem viver comigo até quando quiserem”, conta. Da possibilidade de buscar alternativas como o crédito bancário, regeita como se de um inimigo se tratasse: “Não, não… não prefiro não me meter nisso”, esquiva-se. Leia mais…

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