Cerca de mil pessoas, entre alunos, escritores e membros da comunidade, participaram, ontem, no encerramento da segunda edição da Festa do Livro em Gaza (FELGA), iniciativa integrada nas celebrações do mês de Abril, marcado pelo Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor.
Organizada pela associação cultural Xitende, a FELGA decorreu ao longo de quatro dias, com o objectivo de massificar o acesso à literatura, promovendo o contacto entre o livro e a comunidade.
O evento incluiu feiras em espaços públicos, escolas e bairros, com destaque para workshops, oficinas e apresentações de obras literárias.
Segundo a escritora Deusa d’África, o primeiro dia do certame foi dedicado à homenagem ao escritor português António Lobo Antunes, reconhecido pela sua vasta e valiosa produção literária, marcada pela abordagem dos traumas coloniais e pela contribuição para a construção da memória colectiva.
A iniciativa segue uma tradição iniciada em 2025, quando foi homenageado o poeta Sebastião Alba.
Para a presente edição, a homenagem visou celebrar o legado de Lobo Antunes, recentemente falecido, sublinhando a relevância da sua obra na literatura de língua portuguesa.
O programa incluiu ainda a palestra intitulada “Memória, Esquecimento e Ironia: o trauma colonial na ficção de Lobo Antunes”, apresentada por Bento Mutoba, doutorando em Linguística pela Universidade Estadual Paulista, bem como um recital de poesia realizado na Biblioteca Provincial.
A efeméride contou também com diversas oficinas literárias realizadas em paralelo em vários pontos da cidade de Xai-Xai, bem como no distrito de Guijá, nomeadamente na Escola Secundária de Nwatxomane.
As actividades visaram incentivar o gosto pela leitura, sobretudo entre estudantes.
Entre os destaques estiveram o workshop sobre “O papel da literatura na vida”, orientado por Deusa d’África, Bartolomeu Hassane e Cleonício Baltazar, na Escola Secundária de Inhamissa, bem como a oficina sobre “A importância da leitura”, conduzida pelo escritor Almeida Cumbane, em Guijá.



