TEXTO DE REGINA NAETE E MICAELA MEQUE
Quando o relógio marcava 9 horas e 40 minutos, trabalhadores de diferentes empresas iniciavam com os preparativos da marcha alusiva às celebrações do Dia Internacional do Trabalhador, que no presente ano tiveram lugar na cidade da Matola.
O ponto de partida foi a cidadela, rumo à tribuna edificada a poucos metros, naquele local. Aquele ponto transformou-se num palco de reivindicações sociais, feitas por inúmeros trabalhadores que, além de celebrar, manifestaram as suas inquietações no sector de trabalho. Naquela manhã de calor intenso, a criatividade e o colorido animaram o ambiente.
Os trajes diversificados marcaram a cerimónia, uns produzidos à base de capulanas e outros em simples camisetas com estampas que exteriorizavam vários sentimentos que desaguavam na precariedade laboral.
A escolha das cores também não fugiu à regra, afinal, todos os detalhes estavam em torno das suas mensagens. Alguns optaram pelas cores identitárias que, com as suas apresentações teatrais e cânticos, demonstravam alegria e satisfação nos seus sectores de trabalho.
Outros, porém, tiveram as escolhas centradas em cores que manifestam luto, como foi o exemplo do preto que em maior número representou, ao detalhe, a indignação e grito de socorro de alguns trabalhadores de áreas ligadas à hotelaria, segurança, comunicação social, entre outras.
Ao som do apito, assobios, vuvuzelas e ritmos musicais gerados por carros alegóricos foram ouvidos. Também se fez encenação de escravidão, maus-tratos e desrespeito. Entretanto, em grupos de menor número, apresentou-se coreografias de dança bem elaboradas ao som de músicas nacionais e estrangeiras que evidenciavam o “outro lado da moeda”. Um misto de sentimentos.

Dísticos como “Exigimos justiça social, laboral e salarial”; “Exigimos que a produtividde do banco tenha impacto directo nos rendimentos do colaborador”; “Abaixo o racismo”; “Exigimos um sistema de segurança social ao serviço do trabalhador”, entre outros, caracterizaram o desfile naquela manhã de calor abrasador. O momento mais marcante veio dos funcionários do Polana Serena Hotel, que transformaram a passeata num verdadeiro palco de denúncia. Enquanto outras empresas exibiam alegria e orgulho institucional, estes optaram por uma abordagem dramática e impactante.
Vestidos com roupas carregadas de mensagens dirigidas ao patronato, rostos cobertos por maquilhagens que simulavam lágrimas e sofrimento, encenaram uma peça teatral que remetia à escravatura, uma representação forte que arrancou olhares atentos e silêncio entre os presentes. Leia mais…



