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EDGAR CHAÚQUE ao domingo: As pessoas devem ter hábito de poupar para prosperar

Por Idnórcio Muchanga
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A educação financeira continua a ser um dos principais desafios para muitas famílias moçambicanas. O problema vai além da capacidade de ganhar dinheiro e estende-se à forma como as pessoas tomam decisões sobre consumo, poupança, investimento e planeamento do futuro.

Edgar Chaúque, especialista em educação financeira, explicou as razões que levam várias pessoas a viver acima das suas possibilidades e demonstrou como decisões aparentemente comuns — casar, ter filhos, construir uma casa ou escolher onde morar — têm um forte impacto nas finanças pessoais.

Ao longo da entrevista, Edgar Chaúque defendeu que a disciplina financeira é mais importante do que o nível de rendimento e que a construção da riqueza depende de um processo gradual, baseado na geração, retenção, multiplicação e preservação da renda.

Como avalia o nível de disciplina e educação financeira dos moçambicanos?

Até ao momento não existem dados oficiais e consensuais que indiquem exactamente o nível de educação financeira de todos os moçambicanos, mas diversos estudos apontam para uma baixa literacia financeira. Podemos ver isso pelos hábitos financeiros que muitos têm e pela forma como as pessoas utilizam o dinheiro.

Que factores levam as pessoas a gastar acima das suas possibilidades financeiras?

A maioria dos moçambicano cresceu num contexto de escassez e, naturalmente, todos queremos sair dessa realidade. O problema é que a escassez financeira deixa traumas profundos e afecta a auto-estima, devido aos rótulos que muitas pessoas receberam na época em que não tinham condições financeiras. Desde cedo, aprendemos que não ter dinheiro é algo negativo, porque a nossa primeira experiência de vida foi marcada pela privação.

Passar fome, fazer apenas uma refeição por dia ou não ter acesso ao básico são experiências que deixam marcas. Tudo isso, alia do à forma como nos relacionamos com a sociedade, leva-nos a pensar que, quando tivermos dinheiro, faremos de tudo para que este cenário nunca mais se repita connosco nem com a nossa família.

É precisamente esse trauma do passado que faz com que as pessoas gastem sem pensar no amanhã, adoptando um estilo de vida que não é compatível com a sua capacidade financeira.

Do ponto de vista financeiro, é errado almejar um estilo de vida melhor?

Não há nada de errado porque todos têm o direito de escolher a forma como desejam viver. O mais importante é ter capacidade financeira para sustentar esse estilo de vida. O problema é que muitas pessoas não têm paciência para construir essa capacidade ao longo do tempo e querem melhorar a vida de forma imediata.

Recebem o primeiro salário e já procuram adoptar o padrão de vida com que sempre sonharam, sem terem condições financeiras para o manter. Em muitos casos, esse comportamento é motivado pelo desejo de impressionar os outros. As redes sociais também contribuem para esse fenómeno, ao incentivar o consumo e estimular gastos desnecessários. Leia mais…

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